Cidades

Violência feminina

Casos de feminicídio crescem 8,8% em relação ao ano anterior

Foram 2,925 mil casos no país entre março de 2016 e março de 2017

Redação

23/08/2017 - 12h34
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O Brasil registrou ao menos oito casos de feminicídio por dia entre março de 2016 e março de 2017, segundo dados dos Ministérios Públicos estaduais. No total, foram 2925 casos no país, aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. 

Só no estado de São Paulo, 974 investigações sobre feminicídio foram abertas no período. No 1º semestre deste ano, 93 mulheres foram mortas pelos companheiros no estado, um terço do total de mulheres assassinadas. 

Nos últimos dois dias, quatro mulheres foram assassinadas por seus maridos na capital paulista. O feminicídio considera o assassinato a etapa final de uma série de abusos. 

“O feminicídio é resultado de muitos anos de violência doméstica, que vai das menos graves escalando casos mais graves. Então agressões físicas, violência psicológica, ameaças”, disse Maria Laura Canineu, diretora do Human Rights Watch/Brasil. 

O criminoso que se sente dono da mulher, normalmente, dá como desculpa ciúmes, traição, dificuldades com a separação, disputa pela guarda do filho. Em outro caso, o homem estrangulou a namorada e afogou o filho de sete meses. 

“Diante aí do cenário eu considero sim que foi um femicídio”, disse Ana Paula Rodrigues, delegada do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ela ser mulher. A Lei brasileira incorporou esse tipo de crime em 2015. Muitos casos ainda são registrados apenas como homicídios, mas especialistas dizem que apesar do boletim de ocorrência, podem ser considerados feminicídios. 

“Nós temos uma legislação muito boa. Uma lei muito boa, muito bem feita, é preciso que ela seja cumprida. Esse tipo de crime não pode merecer por parte das autoridades qualquer tipo de condescendência, qualquer tipo de atenuação, é preciso rigor na aplicação da lei, porque os números são alarmantes”, disse Felipe Zilberman, promotor de Justiça. 

 

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