Cidades

DEMORA

Paciente reclama de espera de 2h para curativo em 'pior' UPA da Capital

Conselho informou que UPA Leblon é onde há mais reclamações

Redação

13/09/2017 - 18h27

Morador do interior de Mato Grosso do Sul reclamou da demora em atendimento na área de saúde de Campo Grande. Recém passado por cirurgia que amputou parte do pé esquerdo, o paciente esperou em cadeira por duas horas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon para conseguir curativo. O caso foi no domingo (10).

O Conselho Municipal de Saúde confirmou hoje que a unidade do Leblon tem sido campeã em reclamações de pacientes na Capital.

O homem operado seguiu para a UPA do Leblon por recomendação de parente que mora em Campo Grande. O procedimento que ele precisava fazer era um curativo. Como o amputado reclamava de dores na região, familiares preferiram recorrer à unidade. A amputação aconteceu na quinta-feira (7) por conta de complicações causadas por diabetes.

“Chegamos na UPA por volta do meio-dia. Após a gente ficar esperando por pouco mais de uma hora, fui atrás para saber porque ainda não tinham atendido ele. Quando procurei pelas enfermeiras, algumas estavam sentadas e mexendo no celular”, reclamou o acompanhante em entrevista ao Portal Correio do Estado. Ele preferiu não se identificar.

Ainda segundo ele, profissionais pediram para que o paciente aguardasse um pouco mais e o atendimento só aconteceu duas horas após a entrada na UPA. Para se fazer o curativo foram cerca de 10 minutos.

OUTRO CASO

Publicação compartilhada nas redes sociais repercurtiu ontem (12) entre internautas. Na postagem, da página de humor "Passeando em Campo Grande", no Facebook, uma receita médica que teria sido prescrita na UPA Leblon para um paciente recomendava um exame de raio-x no pé direito, entretanto o homem tem parte da perna direita amputada.

Não foi possível identificar o paciente que aparece na foto ou o nome do médico que assinou a receita.

'PIOR' UPA

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Leblon é classificada como a que mais apresenta problemas na Capital. Classificação foi indicada pelo Conselho Municipal de Saúde e entre os motivos estariam atendimento ruim e porte físico pequeno para a demanda.

“Lá é considerado uma UPA de porte 3. É uma unidade menor que as demais, comparando-se com a do bairro Universitário ou Moreninhas. A sala de espera é pequena, os consultórios também”, explicou o presidente do colegiado, Sebastião Campos Arinos.

Outra UPA apontada como alvo de reclamações em Campo Grande é a do bairro Coronel Antonino, que tem o maior número de atendimentos na cidade.

POSICIONAMENTO

Assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que no caso da profissional da área de enfermagem que estava fazendo uso do celular no expediente no domingo (10), trata-se de uma servidora responsável pela triagem do atendimento pediátrico. “No momento do ocorrido aguardava a devolutiva das fichas passadas pelo médico”, divulgou em nota.

Já no caso do paciente com a perna amputada, Sesau informou que irá investigar. “Haja vista que referido dia foi autorizado apenas um pedido de exame para um paciente sem nenhuma debilidade e o mesmo foi realizado. Em contato com a unidade, nos foi informado que, também, o que eventualmente possa ter ocorrido é uma troca de pedido. [...] É importante ressaltar que o paciente em questão recebeu o atendimento necessário e o pedido de exame, mesmo que entregue de maneira equivocada, não trouxe nenhum prejuízo a ele”, declarou Sesau.

RECLAMAÇÕES

Para reclamações formais a respeito da conduta ética de enfermeiros ou médicos, o paciente deve entrar em contato com o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Coren), no telefone (67) 3323-3167, no caso de enfermeiros, ou no Conselho Regional de Medicina, no telefone (67) 3320-7700.

Identificando o profissional e o registro do mesmo, conselho poderá apurar conduta e tomar devidas providências.

No caso de atendimento, o recomendado é que a ouvidoria nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) seja contatada sobre o problema. “Desta forma fica feito o registro e é solicitada uma resposta por parte do município”, disse Sebastião Campos, do Conselho Municipal de Saúde. Telefone da ouvidoria é 153.

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