Cidades

CONTAS PÚBLICAS

Solurb quer receber R$ 6,5 milhões, mas prefeitura repassa apenas R$ 540 mil

Administração afirma que faz malabarismo para arcar com fornecedores

Yarima Mecchi

10/10/2017 - 10h40

A Prefeitura de Campo Grande tem que repassar R$ 6,5 milhões ao mês para a CG Solurb - concessionária que realiza a coleta de resíduos na cidade -, mas apenas R$ 540 mil foram depositados até agora. Com a falta de recursos, a empresa não conseguiu arcar com a folha de pagamento e 70% dos funcionários estão em greve esperando para receber o salário.

Segundo o secretário de Finanças e Planejamento, Pedro Pedrossian Neto, a administração municipal faz um verdadeiro malabarismo para conseguir pagar as contas em dia. Ele afirma que para arcar com as despesas sem desassistir a população os compromissos estão sendo parcelados ao longo de cada mês.

Explicando sobre a greve parcial dos trabalhadores da CG Solurb, Pedrossian destaca que a administração municipal tem um déficit de R$ 20 milhões ao mês, sendo R$ 14 milhões a menos de quando assumiram a gestão.

“É um estresse financeiro. Na primeira semana do mês nós pagamos para as empresas os valores correspondentes as folha líquidas, assim elas conseguem pagar os funcionários. Este mês, em especial, nós não conseguimos pagar a folha da Solurb em dia por conta da folha de servidores municipais. Nós vamos pagando conforme a disponibilidade do cofre”, destacou.

Pedrossian esclarece que, por mês, o Executivo municipal tem que repassar R$ 6,5 milhões para a empresa de coleta, sendo deste valor R$ 1,6 milhões apenas para a folha de pagamento. O secretário afirma que ainda nesta terça-feira (10) irá depositar o restante do montante referente ao salário. 

“Como disse, nós estamos pagando na primeira semana a folha líquida, na segunda semana depositamos o dinheiro para as verbas indenizatórias e nas outras divide o saldo remanescente para dar os R$ 6,5 milhões. É uma maneira de pagar os fornecedores na data que vence os compromissos deles. Um malabarismo para chegar no fim do ano”, afirmou.

Ainda de acordo com o secretário, a administração já previa que na segunda metade de 2017 o saldo que cobria o déficit acabaria e, por isso, fez um reajuste fiscal.

“Com o IPTU no começo do ano nós tínhamos um saldo, mas em março começamos com déficit de R$ 34 milhões, que foram herdados da gestão passada, conseguimos reduzir para R$ 20 milhões. Sabíamos que teríamos de fazer o reajuste. Com o déficit, a folha de pagamento começa a concorrer com o custeio da prefeitura”, finalizou.

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