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Estados Unidos e Israel deixam oficialmente a Unesco

Segundo a nota, os EUA vão buscar "continuar engajados como Estado observador não membro"

Redação

13/10/2017 - 09h15

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira 12 sua saída da Unesco, a agência de educação e cultura da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi acompanhada por Israel, que logo depois declarou que seguirá o mesmo passo. Ambos apontam uma postura anti-israelense por parte da organização.

A decisão americana, válida a partir de 2019, não surpreende: em 2011, ainda sob o governo Barack Obama, os EUA já haviam cancelado sua contribuição financeira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder aos palestinos o status de membros plenos.

"A decisão não foi fácil e reflete as preocupações dos EUA com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel”, disse o Departamento de Estado americano em comunicado.

Segundo a nota, os EUA vão buscar "continuar engajados como Estado observador não membro" e manterão especialistas à disposição da organização.

Em 2011, o fim da contribuição americana representou um corte de mais de 20% (80 milhões de dólares) no orçamento da instituição, que teve que adotar medidas de austeridade. Houve redução, por exemplo, em pesquisas sobre tsunami e em programas de educação relacionados ao Holocausto.

A diretora-geral da Unesco afirmou que a decisão dos EUA representa uma derrota para o multilateralismo e para a família ONU.

"Após receber a notificação oficial do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco eu quero expressar meu profundo pesar com a decisão dos EUA de se retirarem da Unesco”, disse Irina Bokova, em comunicado.

Em julho passado, a Unesco causou irritação em Israel – firme aliado dos EUA – ao declarar Hebron e os dois santuários adjacentes – a judaica Tumba dos Patriarcas e a muçulmana Mesquita de Ibrahimi – um patrimônio palestino.

A decisão levou Israel a reduzir ainda mais seu financiamento à ONU. Na ocasião, se tratou do quarto corte no último ano: a contribuição do país à ONU foi de 11 para só 1,7 milhão de dólares no intervalo de um ano. Cada redução foi antecedida de uma decisão da Unesco relacionada a locais históricos em territórios palestinos.

O governo Benjamin Netanyahu, ao anunciar a saída israelense da Unesco, classificou a decisão americana como "brava e moral".

Efeito Trump

A Unesco emprega mais de dois mil funcionários, a maioria em Paris, e busca por relevância num momento que enfrenta dificuldades devido a rivalidades regionais e falta de dinheiro. Atualmente, a organização está selecionando um novo diretor.

O anúncio americano enfatiza o ceticismo expressado por Trump sobre a real necessidade de o país permanecer em organizações multilaterais. Ele chegou ao poder com a política protecionista “América primeiro”, ou seja: os interesses nacionais estariam acima de compromissos internacionais.

Desde que assumiu a presidência, Trump abandonou a Parceria Transpacífico (TPP), um acordo comercial assinado por 12 países que criaria a maior área de livre-comércio do mundo, e o Acordo do Clima de Paris. Washington está ainda analisando sua participação no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o qual também acusou de ser anti-Israel.

“A ausência dos Estados Unidos ou qualquer outro grande país com poder é uma grande perda. Não é apenas por dinheiro, mas por promover ideais que são vitais para países como os EUA, como educação e cultura”, afirmou um diplomata da Unesco.

Por diferentes razões, Reino Unido, Japão e Brasil estão entre os países que ainda estão em débito com a organização neste ano.

Uma antiga representante da Rússia na Unesco afirmou que a agência está melhor sem os Estados Unidos. “Nos últimos anos, eles não têm utilidade para a organização. Desde 2011, eles praticamente não contribuíram com o orçamento”, argumentou Eleanora Mitrofanova.

 

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