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Aquartelados há 10 dias, policiais do RN mantêm paralisação

Aquartelados há 10 dias, policiais <br>do RN mantêm paralisação

Redação

27/12/2017 - 21h00

Aquartelados há dez dias, os policiais militares e bombeiros do Rio Grande do Norte decidiram em assembleia nesta quarta-feira (27) manter a paralisação das atividades.

Os policiais exigem que o governo reequipe os quartéis com carros e equipamentos de proteção individual como armas, munições e coletes à prova de bala. A paralisação foi iniciada após o governo atrasar os salários de novembro e não pagar o 13º dos policiais e demais servidores estaduais.

Até terça-feira (26), a gestão estadual de Robinson Faria (PSD) pagou o mês de novembro apenas para os policiais com rendimentos de até R$ 3.000, deixando 33% da tropa sem salário.

"Os policiais estão trabalhando sem receber, vivendo em condição análoga à escravidão", diz Eliabe Marques, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros Militares do Rio Grande do Norte. Ao todo, cerca de 8.000 policiais estão sem trabalhar.

O governo do RN negocia com a União aporte de R$ 600 milhões para pagar os salários. A operação, contudo, foi vetada pelo Ministério da Fazenda por recomendação do Tribunal de Contas da União.

O patrulhamento das ruas das maiores cidades do Estado está sendo feito por 190 agentes da Força Nacional. O efetivo foi reforçado na última sexta (22), após uma escalada nos índices de violência nos primeiros dias de greve.

Estabelecimentos comerciais foram alvos de saques e houve alta de assaltos e arrastões. Ao todo, mais de 50 pessoas foram mortas no Estado nos últimos dez dias.

A paralisação foi considerada irregular pela Justiça, que determinou a volta do patrulhamento. Os PMs, contudo, afirmam que não estão em greve, mas ficarão nos quartéis por falta de condições de trabalho. Para mapear as exigências, o comando da Polícia Militar ordenou aos comandantes dos batalhões e companhias que apresentem em até cinco dias a demanda e os custos de novos equipamentos e carros.

POPULAÇÃO EM ALERTA

Mesmo com a Força Nacional, a sensação é de insegurança entre moradores e turistas em Natal. Na orla de Ponta Negra, praia mais movimentada da cidade, não havia nenhum policial. As vagas de estacionamento de carros de polícia estavam todas vazias.

"Ficamos em alerta", diz a turista paulista Maria Eugênia Gonçalves, 39, que visitava a praia na manhã desta quarta ao lado do também paulista Felipe Rocca, 36.

Ambos dizem não ter presenciado qualquer tipo de situação insegura, mas "ouviram falar de assaltos e arrastões" desde que chegaram, no último sábado (23), já com a paralisação em andamento.

Desde o início da paralisação, o RN registrou 391 roubos, sendo 40 deles a estabelecimentos comerciais e sete a bancos. Ainda foram registrados 195 roubos de veículos, 114 assaltos a transeuntes e 35 roubos a residências.

Entre as vítimas da violência está uma policial militar de Mato Grosso do Sul, que integra a Força Nacional no estado. Ela sofreu um tiro de raspão na cabeça depois de reagir a um assalto.

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