Em reunião com moradores dos bairros Jardim Carioca, Nova Campo e Serradinho, representantes da Prefeitura de Campo Grande defenderam que população precisa ser responsável em "limpar o seu quintal, evitar que ali seja um criadouro de mosquito" e que não haverá promessa de obras porque algumas demandas não poderiam ser atendidas.
O encontro, realizado no sábado (10), foi para reivindicar obras em drenagem, além de alertar que a situação de vias estão se agravando com as recentes chuvas. Participaram da audiência na Escola Municipal Fauze Scaff Gattass Filho os secretários municipais de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese; de Meio Ambientee Gestão Urbana, José Marcos da Fonseca; a diretora-presidente da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano), Berenice Maria Jacob Domingues; e o vereador Henderson Fritz (PSD).
“Com as últimas chuvas, o bairro tem sido um dos mais afetados em Campo Grande e a prefeitura tem feito ações paliativas. Com essa reunião, vamos construir ações a médio e longo prazo que possam resolver. Para criar um planejamento, temos que nos programar, orçar, votar”, comentou o vereador, que faz parte da base do prefeito Marcos Trad (PSD) na Câmara.
Para quem mora na região há décadas, um dos principais problemas é que as intervenções da prefeitura no local são muito pequenas, o que deixa os bairros abandonados.
“Moro aqui há mais de 20 anos, e a gente quer um bairro melhor. O Jardim Carioca e o Nova Campo Grande estão totalmente abandonados: mato, buraco, lixo. A gente quer uma drenagem que seja, pelo menos, para diminuir um pouco a vazão da água para o Jardim Carioca. Toda vez que chove, isso aqui enche de água. A Avenida 7 está totalmente esburacada. A praça está abandonada, escura novamente, cheia de mato, não tem segurança nenhuma. Não temos nada no Jardim Carioca e no Nova Campo Grande, essa é a verdade. Dá vergonha pelos impostos que pagamos”, reclamou Luiz Carlos Silva.
O presidente da Associação de Moradores do bairro Jardim Carioca, Jansen Junqueira, disse na reunião que solicitará ao governo municipal a construção de um posto de saúde e o aumento de creches.
“Precisamos que nos deem respostas, o que realmente será feito pelo bairro. Já é um bairro abandonado. Vieram com projeto dos condomínios, que iria melhorar, mas piorou. Fizeram os condomínios e esqueceram que no bairro já tinha uma grande população. Na creche, já não cabiam as crianças do Jardim Carioca. Agora, com esse condomínio, menos ainda”, disse Junqueira.
Diante das demandas, a diretora-presidente da Planurb, Berenice Domingues ponderou que poder público e população precisam agir juntos. “Não conseguiremos construir uma sociedade que nos dê prazer de viver se a gente não participar. A prefeitura tem a obrigação dela, e cada um é responsável pela sua casa, por limpar o seu quintal, por evitar que ali seja um criadouro de mosquito da dengue”, afirmou.
O secretário de Infraestrutura reconheceu que as obras almejadas hoje são difíceis de serem implementadas. “Temos 4 mil quilômetros de ruas, com 2,6 mil pavimentados e, destes, mais de 50% tem mais de 20 anos. A atual administração recebeu uma secretaria combalida e carente na área de infraestrutura e equipamentos, mas temos nos esforçados para atender. Hoje, estamos recuperando a segunda pista da Avenida 7, até o final, com a construção da ponte de concreto. Não podemos prometer o que não está no nosso alcance”, explicou.
O vereador Fritz informou que está prevista para o dia 24 uma nova reunião outros secretários municipais e será debatido possíveis projetos que podem ser implantados nos bairros.
PACOTE DE OBRAS
Ainda pendente de destravamento, a Prefeitura de Campo Grande tem um pacote que soma R$ 502,8 milhões em obras. A maioria desse recurso, caso seja empenhado, é para melhorar a malha urbana da cidade, incluindo intervenções no Nova Campo Grande.
Já foi solicitado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) empréstimo de R$ 286 milhões para requalificação de vias e outros R$ 491,08 milhões para obras de drenagem.
"O caixa da prefeitura não é suficiente para esse grande volume de obras que nós desejamos. Nós estamos fazendo a nossa parte. Já que o governo federal vai demorar, já que, em um ano eleitoral, regras vão dificultar a liberação de recurso, eu já estou indo ao BNDES. Eu mostrei a capacidade que a prefeitura tem de honrar seus compromissos”, disse o prefeito em fevereiro.