Há pelo menos sete anos, a fotógrafa e youtuber Angel Campos Magalhães, de 24 anos, não participava de um show de música. No dia 7 de abril de 2013, ela sofreu um acidente de carro e teve a perna esquerda amputada. E se antes já não tinha muito ânimo para aglomerações, a principal preocupação que tinha agora, sempre que pensava em participar de um grande evento, era com a falta de acessibilidade, tão comum e desagradável no dia-a-dia, e que poderia ser ainda mais incômoda num local de festa.
E foi justamente o que aconteceu ontem, exatos cincos após o acidente, quando ela decidiu deixar o medo de lado, e encarou a possibilidade de assistir a um show na Expogrande 2018, no Parque de Exposições Laucídio Coelho em Campo Grande.
"Desde a abertura da vendas de ingressos eu tentei entrar em contato com a Duts Promoções - empresa responsável por promover os shows - via redes sociais, telefone e até indo lá. A questão era simples: deficiente paga? existe área reservada? caso exista, como faço pra acessar?", conta Angel.
Conforme a fotógrafa, foram meses sendo totalmente ignorada por uma estrutura considerada gigantesca, já que em 2018 o evento completa 80 anos. "Liguei na Duts Promoções, na Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), mandei mensagens, passei em seus escritórios e tudo em vão). Resolvi ir na sorte, amigos meus que foram em anos anteriores afirmaram existir uma área para deficiente, até chegar lá e dar de cara com um despreparo sem fim", diz.
Angel diz que perguntou a mais de 10 seguranças se havia a área reservada para pessoas com deficiência, obrigatória pelo que dispõe o artigo 44 do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015), no entanto, nenhum deles soube informar.
Depois de quase uma hora de "buscas" e de perder metade do primeiro show, ela chegou com muita dificuldade até a parte de trás do palco, onde encontrou uma produtora e recebeu a pior notícia da noite: "a moça disse que esse ano não havia essa área reservada, que sentia muito. Que grande e desagradável surpresa minha, ir e ficar rodando a toa atrás de algo que nem existia mais. Minha vontade era ir embora na hora, mas eu não podia estragar a festa das minhas duas amigas", pondera.
Mesmo insatifesta, Angel conta que se apoiou num canto e assistiu aos outros shows até o fim. Mas a revolta sobre o descaso sofrido foram mostrados em uma publicação postada por ela em sua conta no Instagram, que recebeu mais de 170 curtidas e 15 comentários.
"Uma vergonha uma exposição que completa 80 anos, não conseguir atender todo o seu público. Uma vergonha ter que passar por isso. Expogrande 80 anos sendo ótima pra quem? Dando convites e cortesias e esquecendo de atender 100% de seu público. Parabéns pelo PÉSSIMO trabalho e preparo @dutspromocoes @expogrande2018 @dumaluf e obrigada por me fazer passar por essa experiência, no dia em que completo 5 anos de acidente, para aprender que direito tem que se pedir na base do grito", escreveu.
Diante das reclamações e do relato da jovem, o Portal Correio do Estado tentou contato por telefone com a Duts Promoções e com a assessoria de imprensa da Acrissul, responsáveis pela Expogrande 2018, mas as ligações não foram atendidas.
O evento começouna última quinta-feira (5) e vai até o dia 22 de abril. Além de shows, também há eventos técnicos e áreas de gastronomia.