A direção da Santa Casa em campo Grande recebeu hoje um relatório com diversas orientações para redução de acidentes de trabalho no local. Dentre as medidas que deverão ser adotadas estão as de controlar a jornada de trabalho dos profissionais e aumentar a fiscalização em relação ao uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
O documento é resultado de uma visita técnica feita, na segunda-feira passada (2), pelo Grupo de Trabalho Interinstitucional GETRIN-24, composto pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS), Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT/MS), Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso do Sul (SRTE/MS), Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro - ERMS), Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Mato Grosso do Sul (Cerest MS) e o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Regional Campo Grande).
A ação faz parte das atividades do Movimento Abril Verde, que tem como objetivo reduzir os acidentes de trabalho no país.
Dados do hospital apontam que, só no ano passado, foram registrados 194 acidentes de trabalho. Deste total, 70% foram com materiais perfurocortantes como agulhas e bisturis. A maior parte destes acidentes aconteceu nas últimas duas horas do expediente.
Com base nestas informações, o grupo recomendou um controle maior das jornadas de trabalho dos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e funcionários do setor administrativo, ressaltando que, as jornadas excessivas de trabalho causam exaustão e, consequentemente, deixam os trabalhadores mais suscetíveis aos erros.
Outras orientações são a intensificação da fiscalização quanto ao uso dos EPIs e também a adoção de protocolos específicos para atendimentos nos setores de urgência, emergência e a pacientes psiquiátricos com objetivo de evitar possíveis agressões.
A Santa casa foi orientada ainda a organizar com o Setor de Vigilância Epidemiológica um fluxo de notificações, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Além disso, o hospital deverá, por intermédio do SESMT, estabelecer um fluxo entre o Núcleo de Vigilância Epidemiológica e demais setores para melhorar a vigilância em saúde do trabalhador, uma vez que a quantidade de Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) relativas aos empregados da Santa Casa é superior ao quantitativo registrado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Por fim, o hospital foi orientado a rever as contratações de médicos como pessoas jurídicas. Isto porque, segundo o grupo, essa medida acaba excluindo os profissionais do sistema de proteção legal à saúde do trabalhador.
O juiz do Trabalho Márcio Alexandre da Silva e os procuradores do MPT/MS Leontino Ferreira de Lima Junior, Paulo Douglas Almeida de Moraes e Cláudia Fernanda Noriler Silva participaram da visita.
O relatório foi entregue ao presidente da Santa Casa, Esacheu Nascimento, que se comprometeu a colocar em prática as recomendações.
*Com assessoria