Inúmeras estacas marcam o limite de onde será asfalto e onde será calçada em quatro ruas do Bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Menor do que os tocos de madeira é a esperança dos moradores de ter, finalmente, a pavimentação concluída nas ruas Universal, Taumaturgo, Carmem Miranda e Bongiovani.
A obra teve paralisação novamente prorrogada pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), por mais 120 dias, a contar e 29 de janeiro. Mas a decisão só foi divulgada pelo governo do Estado no dia 24 de abril, após quase metade do prazo.
Para os moradores das quatro pequenas ruas, a ausência de asfalto traz diversos problemas. O tapeceiro Claudemir Gamino, 53 anos, mantém o próprio negócio em um salão que fica na esquina das ruas Taumaturgo e Canutama, mas relata dificuldades por conta da obra, que nunca termina.
“Eu já tive que rejeitar muito trabalho, porque não tem como manter os sofás aqui nessa sujeira. Se chove, é lama e, se não chove, poeira, não sei o que é pior”. Ele vive no local há 13 anos e diz que antes da intervenção a Rua Canutama tinha asfalto, que foi retirado para execução do serviço de drenagem de águas pluviais.
“O pedacinho do cruzamento das ruas tinha asfalto. Só na Taumaturgo que não. E olha que é linha de ônibus. No fim, só prometem, e a cada dois anos vêm aqui pedir voto nas eleições”, afirma Gamino.
Em nota, a Agesul informou que “a obra do Bairro Aero Rancho está paralisada porque aguarda repasses de recurso federal, do Ministério das Cidades, para continuidade”. A pavimentação e a drenagem do local estavam orçadas inicialmente em R$ 1.037.849,88, com início no dia 19 de junho e término em 16 de dezembro do ano passado.
Anunciada em abril de 2017 pelo governo do Estado, desde pelo menos o fim de julho do mesmo ano, as ruas que deveriam ser asfaltadas estão abandonadas, e a única marca de obra no local são justamente as estacas que delimitam os espaços onde haverá asfalto e calçada. As máquinas que fizeram a parte da drenagem foram tiradas dali e por quase um mês – entre julho e agosto do ano passado – as ruas ficaram interditadas.
O governo do Estado anunciou no dia 19 de abril de 2017 um pacote de licitações realizadas na primeira quinzena do mês de maio, em que foram contratadas empresas para a execução de obras de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais do Aero Rancho e outras onze cidades de Mato Grosso do Sul.
Na época do anúncio, a Agesul informou que no bairro seriam realizadas obras complementares de pavimentação e drenagem nas ruas Universal, Taumaturgo, Carmem Miranda, entre a Avenida Graça Aranha e Rua Bongiovani e trecho da Bongiovani entre a Universal e Carmem Miranda e da Taumaturgo entre a Bongiovani e a Canutama.
Com o bairro definido por setores batizados com letras do alfabeto pelos técnicos da Agesul, as obras do Aero Rancho referem-se à chamada Etapa G, mas isso não significa que todas as etapas anteriores estejam prontas. A pavimentação de ruas do setor A, por exemplo, foi lançada ainda na gestão do ex-prefeito Nelson Trad Filho, mas não está concluída. No bairro, segundo dados da Agesul, foram pavimentadas as ruas dos setores B, C e D, durante a gestão do ex-governador André Puccinelli.
No dia 23 de maio, também de 2017, a empresa Decimal Engenharia ganhou a licitação para asfaltar as ruas da etapa G. A construtora ganhou o certame de mais de R$ 1 milhão para fazer a execução das obras de infraestrutura urbana, pavimentação asfáltica e drenagem de águas.
OUTRAS
Levantamento feito pela reportagem apontou 12 obras com prorrogação de paralisação este ano em Mato Grosso do Sul – entre elas a do Bairro Aero Rancho, que está paralisada desde o dia 4 de janeiro –, seis delas somente este mês.
Também no dia 24 de abril, o governo do Estado prorrogou outras duas obras no interior, na MS-382, que dá acesso à Gruta do Lago Azul – um dos principais pontos turísticos de Bonito –, e na MS-214, em Coxim.
A primeira por 120 dias a partir de 6 de abril, e a segunda por 90 dias a partir de 30 de janeiro, ou seja, caso não tenha nova prorrogação, deverá ser retomada no início de maio.
O prefeito de Bonito – a 205 quilômetros da Capital –, Odilson Arruda Soares (PSDB), questionado pela reportagem, disse que desconhecia a prorrogação da paralisação da obra.
“Já estava parada, quando começou o período de chuva no fim do ano passado. É uma estrada de grande importância para o município que dá acesso à Gruta”, limitou-se a dizer.
Sobre as demais paralisações, onze no total, a Agesul foi questionada e até o fechamento desta edição não explicou os motivos que levaram às prorrogações.