Pelo menos oito testemunhas convocadas para a primeira audiência sobre a morte do rapaz que foi decapitado em uma espécie de "julgamento" realizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) não compareceram na tarde de hoje (4), no Tribunal do Júri. Seis dos sete réus do caso acompanharam os depoimento.
No início da audiência de instrução, o juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete de Almeida, citou que algumas testemunhas, como policiais militares, parentes dos envolvidos e vítima não compareceram. Alguns justificaram. A proprietária de uma das casas em que o crime ocorreu alegou, inclusive, que não gostaria de comparecer ao fórum “de jeito nenhum”. Em acordo, tanto Ministério Público, quanto os advogados de defesa dos réus, dispensaram o depoimento dessa pessoa.
Até a mãe da vítima, Rudnei da Silva Rocha, conhecido como “Babidi”, não compareceu como testemunha do caso. Já em relação aos presentes, os primeiros convocados a falar foram investigadores de Polícia Civil da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DEH) e do Grupo de Operações e Investigações (GOI).
Todos contaram como foram as investigações do caso ocorrido em outubro do ano passado, no bairro São Conrado. Citaram a participação de cada réu e a ordem cronológica dos acontecimentos.
CASO
Consta nos autos que nos dias 6 e 7 de outubro de 2017, na Rua Internacional, número 170, os denunciados Ayumi Chaves da Silva, 21 anos, Lucas Carmona de Souza, 20 anos Valdeir Lourenço, 44 anos, Rodrigo Roberto Rodrigues, 18 anos, Roberto Railson Maia da Silva, 21 anos, Cristiane Gomes Nogueira Rodrigues, 31 anos, Mike Davison Medeiros da Silva, 19 anos, e uma adolescente de 17 anos teriam submetido “Babidi” a cárcere privado, "julgamento" e "condenação", que consistiu na sua execução. Segunda a denúncia, Rudnei era traficante de drogas e integrante do PCC, no entanto ele teria se filiado ao Comando Vermelho, facção rival.
Cristiane, conhecida como “Polêmica”, seria a responsável pelo disciplina dos integrantes da facção. Quem cometer algum “delito” interno, passa por esse julgamento, que tem a ordem final vinda de dentro do presídio.
Com a pena de morte definida, Roberto Railson e Rodrigo Roberto levaram Babidi até o banheiro da casa de Ayumi, que cedeu o local, e o executaram com uma facada no pescoço. Após a morte, os dois terminaram de degolar a vítima, enrolaram o corpo em um cobertor e abandonaram no Indubrasil.
Mike e Lucas também foram convocados para o “julgamento”, mas estavam embriagados no momento e foram dispensados, pois há uma regra interna do PCC que não autoriza a participação se o integrante estiver embriagado ou sob efeito de drogas.
A adolescente de 17 anos teve a casa usada como primeira reunião do “julgamento”. Em seguida, os integrantes levaram o encontro até a casa de Ayumi.
Ayumi e Cristiane foram beneficiadas com prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, porém a primeira já é considerada foragida, pois rompeu o aparelho e não foi encontrada mais pela polícia.