Cidades

MERCADO-ABASTECIMENTO

Alimentação é insuficiente para bilhões de animais e já há mortandade, diz associação

Alimentação é insuficiente para bilhões de animais e já há mortandade, diz associação

Izabela Jornada

27/05/2018 - 21h00
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 A mortandade animal já é uma realidade devido à falta de ração e de espaço, em consequência da paralisação nos transportes, informou a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Segundo a associação, um bilhão de aves e 20 milhões de suínos estão recebendo alimentação insuficiente.
A associação também diz que, por falta de condições de transporte pelas rodovias brasileiras, milhares de toneladas de alimentos estão ameaçadas de perderem prazo de validade, enquanto o consumidor já enfrenta a escassez de produtos.

Com risco de canibalização e condições críticas para os animais, 64 milhões de aves adultas e pintinhos já morreram, e um número maior deverá ser sacrificado em cumprimento às recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal e das normas sanitárias vigentes no Brasil.  Milhões de suínos também estão ameaçados.

Segundo a associação, os reflexos sociais, ambientais e econômicos são incalculáveis. Hoje, a ABPA registrou 167 plantas frigoríficas de aves e suínos paradas.  Mais de 234 mil trabalhadores estão com atividades suspensas.

Segundo a associação, as dificuldades enfrentadas pelo setor terão impacto nos consumidores.
"As carnes suína, de frango e os ovos, proteínas que antes eram abundantes e com preços acessíveis, poderão se tornar significativamente mais caras ao consumidor caso a greve se estenda ainda mais. "A mortandade cria uma grave barreira para a recuperação da produção do setor nas próximas semanas e meses", disse a ABPA em seu nota. 

A ABPA representa 150 empresas e quase 100% do setor de aves e de suínos do Brasil. A organização diz que não tem poupado esforços para garantir o bem-estar animal e minimizar as consequências da greve dos caminhoneiros.

Segundo ela, consequências da greve criaram desabastecimento e pararam produções.

"O desabastecimento de alimentos para o consumidor também já é fato, uma vez que milhares de toneladas de carnes e outros produtos deixaram de ser transportados para os centros de distribuição desde o dia 21 de maio, data do início da greve. Outras milhares de toneladas não foram produzidas pelas fábricas, que foram obrigadas a paralisar a produção por não terem mais onde estocar produtos."

A ABPA diz que a situação é caótica não só para o mercado nacional. Aproximadamente 100 mil toneladas de carne de aves e de suínos deixaram de ser exportadas na última semana. O impacto na balança comercial já é estimado em US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão).

Diante desse quadro de calamidade no setor, apelamos para a sensibilidade das lideranças do movimento grevista dos caminhoneiros, da Polícia Federal, das polícias estaduais e municipais pela liberação da passagem dos caminhões carregados com ração, cargas vivas, carnes e outros alimentos em caminhões frigoríficos.

"É importante que todos saibam: após o final da greve, a regularização do abastecimento de alimentos para a população poderá levar até dois meses", disse a ABPA em nota.

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