Iniciadas há uma semana, as obras na Rua 14 de julho devem impactar diretamente o comércio já nos próximos dias. A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) prevê queda no movimento de clientes no Centro, trazendo impacto no faturamento das lojas, o que exigirá do empresário planejamento e organização interna para minimizar prejuízos.
“A associação recebeu a informação da prefeitura de que, para promover a obra, cada quadra ficará fechada por dois meses e o acesso do trânsito por carros será impedido. Algumas alternativas estão sendo analisadas, como a realização de campanhas promocionais na região, para evitar danos maiores nessa fase de obras”, informou assessoria de imprensa da instituição.
A redução no movimento também é uma preocupação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). “É claro que uma obra como essa vai interferir no movimento. Por exemplo, em momento algum do projeto, houve preocupação com a questão do estacionamento. Uma outra coisa que nos preocupa é justamente o calçamento, o desconforto ao caminhar e a manutenção futura”, afirma Adelaido Vila, presidente da CDL.
De acordo com a prefeitura, a interdição completa da rua deve ser realizada no fim da próxima semana. Até sexta-feira, apenas uma faixa de rolamento e uma de estacionamento da via estavam com trânsito impedido. No local, está sendo feita a rede de esgoto na calçada.
Por enquanto, comerciantes da 14 de Julho ainda não sentiram reflexos nas vendas do vai e vem de caminhões e máquinas. “Ainda não percebi nada diferente. E acho que não vai interferir em nada. Mas estamos ansiosos pelo fim da obra, porque acho que vai melhorar e muito”, disse o comerciante Márcio Paulo, que tem uma loja de climatizadores bem em frente ao local onde a obra foi iniciada.
Ansiedade e expectativa também é o que sente o comerciante Denys Heleno, 31 anos. Há três meses, ele abriu uma lanchonete na 14, entre as ruas Sete Setembro e 15 de Novembro e está confiante de que após a conclusão das intervenções o movimento vai melhorar, mas a torcida é para que as obras terminem logo. “Espero que seja rápido, principalmente mais rápido do que foi a obra na [Rua] Brilhante. Porque, se fechar a rua por muito tempo, vai ser bem difícil para nós”, considera.
PROJETO
A obra de revitalização deve afetar diretamente, pelo menos, 350 mil pessoas que passam pelo Centro todos os dias. Mas o plano para mudar o trajeto dos 52 veículos do transporte coletivo, além de carros e motos que passam ao longo da via – uma das principais da cidade –, ainda não está concluído.
Toda a intervenção proposta atende à Lei Complementar nº 161, de 20 de julho de 2010, que prevê reduzir a poluição visual, retirar os postes de energia (com cabeamento subterrâneo), construir calçadão na Rua 14 de Julho e reordenar vagas de estacionamento, inclusive na região da Feira Central.
Esta primeira fase da obra de revitalização será até a Avenida Afonso Pena, com previsão de término entre outubro e novembro. A Associação Comercial solicitou um esquema especial das obras para não prejudicar as vendas no fim de ano, data de maior importância para o comércio. Como em dezembro é a melhor época para comercialização, as obras serão suspensas até o fim da estiagem, prevista para março do ano que vem.
O projeto foi lançado em 2009, mas ficou parado até a administração do ex-prefeito Alcides Bernal (PP). Em dezembro de 2015, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou a aprovação do pedido da prefeitura para liberar o valor necessário para a obra.
O investimento de US$ 112 milhões tem prazo de cinco anos para execução, cinco anos e meio para carência e 20 anos para amortização da dívida com juros de 1,2% ao ano.