Uma ferida comum cicatriza em tempo relativamente curto. O processo de cicatrização envolve, grosso modo, três etapas: inflamação, proliferação e regeneração. Feridas crônicas são aquelas que permanecem no estado inflamatório e, passados mais de seis meses, ainda não cicatrizaram. É o caso das úlceras provocadas por leishmaniose. Ou de feridas de pé diabético que, muitas vezes, resultam em amputação.
Uma forma antiga de tratamento, que havia sido descartada com o advento dos antibióticos, está sendo reabilitada agora em alguns hospitais dos Estados Unidos, Europa e América Latina. No Brasil, é aplicada no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, Rio Grande do Norte.
Trata-se da larvoterapia: a utilização de larvas de mosca para remover o tecido necrosado, romper o biofilme bacteriano e eliminar as bactérias, e promover o crescimento de tecido sadio. A despeito de seu caráter aparentemente repulsivo, o tratamento tem-se mostrado bastante eficiente na cura dessas feridas recalcitrantes.
O tema é objeto de estudo de Andrea Diaz Roa, doutoranda no Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP. Nascida na Colômbia e pós-graduanda em Ciências Biomédicas na Universidad del Rosário, de Bogotá, Roa é orientada no CeTICS por Pedro Ismael da Silva Jr., pesquisador científico do Instituto Butantan.