Mato Grosso do Sul está sob alerta de ocorrência de sarampo e poliomielite. O Estado apresentou cobertura vacinal abaixo da média exigida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que estabelece homogeneidade de cobertura em 95% das crianças de até cinco anos. Diante do surto de uma das doenças em 11 países da América, incluindo o Brasil, o Ministério Público do Estado (MPMS) recomenda que sejam intensificadas ações de prevenção, sendo a principal delas a vacinação.
A campanha de vacinação contra as doenças começa hoje em todo o Brasil e vai até o dia 31 de agosto. No Estado, o público-alvo é de 158.083 crianças, com idade entre 1 ano e menores de 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias).
De acordo com portaria publicada pelo MPMS, no dia 31 de julho, dados do Ministério da Saúde mostram que houve considerável redução dos índices de cobertura vacinal em Mato Grosso do Sul, tanto da poliomielite quanto de sarampo (tríplice viral), que antes atingiam 100%.
“Em 2016, a cobertura vacinal contra poliomielite ficou em 93,78% e, em 2017, em 88%, enquanto a de sarampo teve diminuição para 96,68% em 2016 e 88,46% em 2017”, relata Filomena Fluminhan, titular da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública.
“Um dos motivos dos índices de cobertura vacinal não estarem atendendo o mínimo previsto pela Opas é exatamente o desconhecimento pela população dos benefícios da vacinação e também dos riscos dessa falta de vacinação. Os benefícios são que o vírus é atenuado com a vacina, não tem efeitos colaterais, já os malefícios das doenças é um risco muito mais sério, até de morte”, explica.
No caso da pólio, 312 municípios registraram baixas taxas de cobertura vacinal contra a doença. Na Capital, desde 2016, os dados são decrescentes. No primeiro semestre deste ano, apenas 76% das crianças de 12 meses a menores de 5 anos foram imunizadas.
No Brasil, o último caso de poliomielite aconteceu em 1989. Em 1994, o continente americano recebeu o certificado de erradicação. “Muita gente não se lembra dos casos de pólio. Do quanto é grave, podendo levar ao óbito e deixar sequelas para o resto da vida. Mas os pais precisam saber que os filhos necessitam tomar a vacinação completa. Cada dose da polio protege contra um sorotipo da doença.
Precisa fazer o esquema de imunização certinho, porque, por mais que não tenhamos o vírus circulando no País, com a baixa da vacina as crianças estão desprotegidas e a qualquer momento elas podem ficar doentes se houver um caso novo”, alertou a médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Marcia Dal Fabro.
Considerando a importância das vacinas na promoção do controle das doenças preveníveis por imunização, a promotora recomendou que, nos próximos cinco dias úteis, a Prefeitura de Campo Grande realize ampla divulgação da Campanha Nacional de Vacinação contra poliomelite e sarampo.
Além disso, Fluminhan pede que em 30 dias seja realizada busca ativa nas regiões de difícil acesso de Campo Grande, como comunidades rurais e assentamentos; e que a prefeitura notifique oficialmente creches, berçários, centros de educação infantil e escolas, principalmente as de ensino infantil, para que seja verificado se os alunos estão com a caderneta de vacinação em dia.
No caso das crianças e dos adolescentes com vacinação irregular, a promotora recomenda que o Conselho Tutelar seja informado, para que adote as providências cabíveis contra os pais.
FAKE NEWS
Notícias falsas também têm se tornado o pesadelo de especialistas durante a campanha de vacinação. “Alguns mitos que vêm entrando por meio de mídias e fakes estão fazendo com que as pessoas acreditem que, como a doença já foi erradicada, não tem mais nenhum problema. Aí acabam deixando de vacinar. Às vezes, são pessoas que têm conhecimento, têm estudo, e acabam acreditando nisso”, conta a enfermeira especialista em políticas públicas de saúde, Rosângela Fernandes Pinheiro Nantes.