O fechamento do Pronto Atendimento Médico (PAM) do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) por 15 dias vai prejudicar quase 800 pacientes de Mato Grosso do Sul. A unidade recebe 53 pacientes por dia, mas tem capacidade para apenas 26. Diante da situação, caberá à Santa Casa e ao Hospital Regional absorverem essa demanda.
Ontem, o hospital chegou a ter 67 pacientes no PAM. Mais que o dobro da capacidade. Doentes tiveram de ser distribuídos em macas pelos corredores. De acordo com a médica coordenadora do PAM, Cláudia Lang, o hospital frequentemente funciona acima da capacidade.
“Não fechamos o pronto-socorro de vez. Vai ser por alguns dias, para que a gente possa dar um pouco de dignidade para esses pacientes que já estão aqui”, afirmou.
Conforme o secretário estadual de Saúde, Carlos Coimbra, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) negocia a abertura do hospital antes do prazo anunciado, porém, caso isso não seja possível, as outras unidades estarão preparadas para receber os pacientes.
“Acredito que os outros hospitais poderão fazer o atendimento nesse período, enquanto o HU reorganiza seu pronto atendimento”, comentou Coimbra.
Atualmente, a contratualização com o HU prevê investimentos mensais de R$ 3,6 milhões. O deficit gira em torno de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por mês. Há algum fôlego quando são repassados recursos do Ministério da Educação, já que a unidade funciona como um hospital-escola da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
DIGNIDADE
Conforme o hospital, entre os 67 pacientes que eram atendidos ontem no pronto atendimento, havia os que eram casos graves e os mais simples. Eles estavam distribuídos em leitos, macas no corredor e 16 deles estavam internados em cadeiras.
Em nota, a unidade afirmou que, dos pacientes internados no PAM, dois estavam isolados de forma improvisada nos consultórios, com suspeita de tuberculose. Além disso, “outro agravante é o fato de não termos recursos humanos suficientes para atender um número tão elevado de pacientes, inclusive, temos muitos funcionários afastados por doença, em razão da sobrecarga de trabalho à que vem sendo submetidos nessa situação de superlotação”.
Um dos internados na tarde de ontem era o taxista Isaías Manoel Dudu, 54 anos. Ele está no PAM desde domingo (12). Depois de enfrentar jornada, passando pelo Centro de Especialidades Médicas (CEM) e por Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ele foi encaminhado ao HU, onde aguarda por cirurgia. “No meu caso, eu teria condições de aguardar o encaminhamento para cirurgia em casa”. Ele está com o braço quebrado.
A situação da avó da profissional autônoma Franciele Almeida, 28 anos, é mais grave. Aos 76 anos, a idosa aguarda, há quase uma semana, para realizar procedimento necessário para um diagnóstico mais preciso. “Ela está com uma anemia profunda”, afirma a neta, que precisa se revezar com a mãe para não deixar a aposentada sozinha no local.
A reportagem procurou a Santa Casa para saber como está a estrutura do hospital para receber esses pacientes a mais, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. O secretário de Saúde municipal também foi procurado, mas não atendeu as ligações.
A Sesau culpou o hospital pela situação. “A eventual superlotação do PAM do Hospital Universitário se dá justamente porque há uma resistência por parte da instituição de restringir os atendimentos somente aos casos regulados, o que resulta em um excesso de pacientes provenientes de demanda espontânea”.
ELETIVAS
Para agravar mais a situação, a administração do HU adiou as dez cirurgias eletivas agendadas para hoje. A medida tem a finalidade de concentrar mão de obra no tratamento dos pacientes que já estão no PAM. Os procedimentos somente serão normalizados na segunda-feira, dia 20.
Conforme a coordenadora do PAM, a medida foi necessária para reduzir o número de pessoas nos corredores. A situação pode aumentar o risco de os pacientes sofrerem eventos adversos graves, bem como passarem a ter infecções.
Em nota, a administração do hospital alegou que comunicou a Central de Regulação da incapacidade de fazer os atendimentos, no entanto, pacientes continuaram a ser encaminhados à unidade.