O resultado da prova feminina da tradicional Corrida do Facho realizada neste domingo (26), em comemoração ao aniversário de 119 anos de Campo Grande, gerou descontentamento entre várias competidoras. Segundo elas, não bastasse o horário “desrespeitoso” da largada, houve quebra de regulamento por parte de algumas equipes que foram ao pódio pois, supostamente, teriam usado acessórios como óculos e meias de compressão, entre outros, que estavam proibidos conforme definido em congresso técnico. No entanto, a organização alega que tudo transcorreu dentro da normalidade.
A corrida teve início às 06h15, no cruzamento da Rua 13 de Maio com a Avenida Afonso Pena, em frente à Praça Ary Coelho. Apesar do entendimento de que a prova antecede o desfile, elas criticaram o horário, considerado muito cedo em comparação com a dos homens, iniciada às 7 horas. No entanto, a principal reclamação foi por conta do resultado final em razão de possível descumprimento das regras. O primeiro lugar foi da equipe Fartek A, que completou o percurso em 23,14 minutos, seguida de Kamikazes e Percurso Livre em segundo, Adac em terceiro, Kamikazes e Top Run em quarto, e As Tri em quinto.
Segundo Maira Portugal, atleta da Kamikaze e Top Run, algumas das equipes fizeram uso de acessórios que estavam proibidos e, por isso, ela pediu medidas como desclassificação ou retirada de pontos. “Eu tentei conversar com a organização, para que eles pudessem pelo menos descontar alguns pontos. No entanto, disseram que eu deveria entrar com recurso na justiça, mas não é isso que queremos, isso aqui é uma brincadeira. Não precisa disso, mas todos têm que seguir a mesma regra”, disse. Sidineia Gava, da Adac, também reclamou. “Nós seguimos todas as regras, então acaba sendo injusto o uso destes acessórios".
A militar Joeline Gonçalves Moura, aspirante da aeronáutica, da equipe Ala 5 Base Aérea de Campo Grande, corroborou com o discurso das corredoras e disse que a questão do uso de uniforme e a proibição de acessórios foi bem especificada. “Não estava autorizado o uso de nenhum destes acessórios. Isso foi acordado no congresso, mas no momento em que fomos reclamar hoje, as mesmas pessoas que ditaram estas regras se negaram a cumpri-las. Foi um absurdo”. Ainda conforme apurado pela reportagem do Correio do Estado, grupos teriam gravado a discussão sobre as regras no congresso e têm como provar as irregularidades.
TUDO LEGAL
O secretário Rodrigo Terra, diretor-presidente da Fundação de Esportes (Funesp) de Campo Grande, alegou que nenhuma regra foi quebrada e reiterou que no congresso técnico não foi comentado sobre o veto de acessórios. Ele disse ainda que, se tal proibição não consta no regulamento, então não pode ser considerada como uma regra. A prova foi organizada pela Federação de Atletismo de Mato Grosso do Sul que, conforme Terra, também não constatou irregularidades. “Quem se sentir prejudicado, tem total direito de entrar com recurso, mas reforçamos que não haviam estas regras”, afirmou o secretário.
A tradicional corrida do facho acontece em comemoração ao aniversário de Campo Grande. Promovido pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Funesp, acontece desde a década de 1960, quando participavam apenas unidades militares. A partir da década de 1970, a competição foi aberta a entidades civis, com a participação do público masculino. Os corredores percorreram mil metros cada um, perfazendo um total de 5 mil metros para equipe feminina e 10 mil metros de percurso a equipe masculina.