A partir da Vila Piratininga, em Campo Grande, saem produtos alimentícios à base de pimenta que abastecem bares e restaurantes mundo afora. São molhos, mousses, cremes e geleias fabricados de forma artesanal na indústria Tar & Tar, localizada no cruzamento da Rua Anchieta com a Rua Anhanguera, em imóvel sem fachada e que pode passar despercebido por quem transita pela região. Apesar do endereço discreto, as mercadorias fazem sucesso e são bastante conhecidas, pois incrementam desde o sabor do tradicional churrasco sul-mato-grossense a pratos da alta gastronomia.
Segundo Theo Gomez, um dos sócios no negócio, juntamente de André Cavalcante e Renato de Almeida Campos, a qualidade é resultado de fabricação tipo caseira, mas em escala industrial, com matéria-prima de pequenos produtores de Sidrolândia, Jaraguari e Bodoquena, que fornecem pimentas dedo-de-moça, pimenta-bode (bodinha), habanero e “scorpion”. “Não utilizamos produtos químicos. Tudo é feito com materiais frescos. Eu moro no sítio, por exemplo, e trago orégano fresco”, explicou, ressaltando que todo o processo é manual. “Fervemos os produtos na panela e batemos no liquidificador, como se estivéssemos em casa mesmo”.
Até as receitas são elaboradas de forma simples, na base de tentativa e erro. Theo aproveitou a experiência que teve ao trabalhar em uma grande rede de restaurantes no Rio de Janeiro para criar seus molhos e cremes. Todas as medidas ficam registradas à mão, em caderno de anotação. “Eu vou experimentando. Assim, percebo se é preciso colocar ou tirar algum ingrediente ou tempero. Ao fazer essas experimentações, eu tento levar para o consumidor final aquilo que eu considero melhor, tento transmitir a experiência que tive ao criar a receita”.
Atualmente, a Tar & Tar produz na Vila Piratininga cerca de 10 mil unidades por mês. A linha tem nove produtos, que vão de mousse de pimenta e ervas a ketchup com goiabada, mostarda spicy, geleia de pimenta e chutney de abacaxi. A indústria atende, somente no atacado, mais de 80 pontos em Campo Grande.
Também está presente em todo Mato Grosso do Sul e nos estados de Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Paraná, bem como no Distrito Federal. “Também estamos vendo distribuidores no Espírito Santo e em Pernambuco. Já vendemos no Paraguai e agora vamos para o Chile, aproveitando a rota bioceânica. Também há negociação para abastecermos uma rede que vende produtos para brasileiros que moram nos Estados Unidos”, comentou.
A HISTÓRIA
A fábrica é fruto do sonho dos amigos empreendedores que, antes do negócio, não se conheciam. “A gente se conheceu em 2014. Tínhamos vontade de empreender e acabamos sendo apresentados. Colocamos as ideias na mesa e, em fevereiro de 2015, começamos a operar neste local”, pontuou Theo. Renato já era empresário com experiência em gestão e foi responsável pelo aporte financeiro. André assumiu a produção e Theo passou a coordenar a criação. No início, a empresa se chamava “Master Gourmet”, mas migrou para Tar & Tar e neste momento passa por processo de readequação à nova marca. “Começamos com R$ 50 mil e hoje nossa empresa vale muito mais do que isso”.
Theo é formado em Nutrição e trabalhou no Rio de Janeiro na rede de restaurantes de alta gastronomia do chef francês Claude Troisgros, em que aprendeu a preparar molhos e cremes especiais. Ele conta que ficava em um setor que abastecia seis restaurantes da rede com molhos e cremes. “Fazer molho é a parte mais difícil, então a gente produzia em grande escala para as outras unidades”.
A empresa também chegou a fabricar petiscos como pastéis e salgados congelados, para abastecer bares da cidade. “Como o molho fazia mais sucesso e já estávamos com uma produção legal, optamos por parar com os petiscos”. Hoje a empresa conta com o trabalho dos três sócios, que participavam desde a produção até a entrega, e de dois funcionários. Como o negócio cresceu, o objetivo agora é mecanizar algumas etapas do processo. “Nossa produção ainda será artesanal, mas pensamos em colocar máquinas para fazer a embalagem”.