Italívio Martins decidiu conferir com os próprios olhos o andamento da obra de conclusão do Anel Rodoviário de Campo Grande, entre as saídas para Rochedo (MS-080) e Cuiabá (BR-163). Morador da Chácara Esperança há oito anos, ele fez questão de registrar tudo com fotos no celular, que serão compartilhadas nas redes sociais.
“Eu acho que já era para estar pronto há muito tempo, mas sacanearam. Agora estou marcando para ver se sai mesmo”, disse o produtor rural.
Ele e os vizinhos acreditam que ao fim da obra as terras vão se valorizar bastante. “Acho que uns 30% a mais. A gente estava comentando isso esses dias. Quem mora mais na beira vai valorizar mais. Como é o caso das propriedades ali no trevo. Mas o que mais queremos é o benefício, porque não tenho interesse em vender”.
Como “fiscal” da obra, ele afirma que há duas patrolas todos os dias no local, mas não sabe se será o suficiente para encerrar os trabalhos até maio do ano que vem, prazo dado pelo município. “Se eles colocarem mais máquinas, acabam, sim”, acredita.
Assim que o trecho de 24 quilômetros for concluído, Italívio economizará 15 minutos para chegar à sua propriedade. “Vai ficar muito melhor. Não vou precisar cruzar por dentro do Bairro Nova Lima. Lá, quando chove, fica muito ruim. Se asfaltar essa parte que falta, vai ficar bom demais”, vislumbrou.
As máquinas retornaram ao trecho no início do mês para conclusão de seis quilômetros restantes, após quatro anos de paralisação.
A reportagem do Correio do Estado esteve no local e verificou que cerca de 1,5 quilômetro de piche foi aplicado no trecho que liga o início da BR-163 ao restante da obra, além de outro 1,5 quilômetro com pedrisco. Na lateral, a grama já está sendo plantada.
No entanto, os moradores das chácaras e de bairros próximos ao trecho já utilizam as marginais que são frequentadas pelas máquinas.
Este é o caso do catador de materiais recicláveis Vicente Maricardi, que mora no Jardim Anache. “Toda semana passo aqui e vejo que até no sábado eles estão trabalhando. Só quando chove fica meio lento. O importante é finalmente ser concluída”.
A maior parte dos trechos inacabados está passando por terraplanagem. Principalmente às margens da estrada que vai para Rochedinho (MS-010). Várias máquinas estão no local tentando nivelar a pista que receberá uma rotatória. Este é o trecho de maior demora em decorrência do entrave para desapropriação de terra de algumas propriedades.
Para retomar a obra, a prefeitura prorrogou o convênio com o Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), que venceria em maio deste ano. Com mais prazo, mudanças foram incluídas no projeto e dará tempo, segundo a gestão municipal, de concluir as últimas desapropriações. O traçado do Anel afetará 46 propriedades.
O projeto passou por ajustes para contemplar a construção dos colchões drenantes, que não estavam previstos na proposta original. Também foi preciso alterar os projetos das rotatórias, que foram mudadas para se adequarem à duplicação da MS-080. As alterações exigiram um aditivo de R$ 1.603.513,62 no convênio.
Com os aditivos para atualização de planilhas que ficaram defasadas após quatro anos de paralisação e reprogramação, o Macroanel fechará com um custo total de R$ 36,3 milhões.