Um grupo de cidadãos que trabalha na região central de Campo Grande está se organizando para criar uma associação de vendedores ambulantes da região central. O objetivo é regularizar a atividade que atualmente é ilegal e também solicitar junto à prefeitura de Campo Grande, a construção de um segundo espaço para comércio varejista como o atual Camelódromo, que comporta 450 boxes.
Segundo o organizador da associação, que é ambulante há 10 anos, Wanderson Ferreira de Oliveira, existem mais de 100 famílias que são mantidas pelo trabalho dos vendedores. "Somos vistos com maus olhos pelos comerciantes das lojas, que nos acusam de não pagar impostos. Mas, e os tributos que deixamos no comércio quando compramos combustível, comida e remédios, não conta? Nossa luta é para trabalhar com dignidade e sem correr risco de perder nossos produtos", argumenta.
Oliveira lembra que em meados da década de 1990, quando o comércio se concentrava no calçadão da Rua Barão do Rio Branco, os ambulantes tinham uma autorização para comercializar diversos produtos no local. "Por isso, solicitamos apoio jurídico para criar uma associação que contemple os vendedores da região central. Atualmente, a única que existe e está regulamentada é a que funciona nos terminais de transbordo da cidade", reforça.
PROJETO DE LEI
Em junho deste ano, uma lei municipal foi aprovada na Câmara Municipal, de nº 320/18, e autoria do vereador Otávio Trad (PTB), que dispõe sobre o comércio de alimentos, por meio de food trucks em complementação a original de 2015, acrescentando a autorização para veículos automotores, carrinho estacionados por força humana e barracas desmontáveis.
Um grupo de ambulantes participou de uma audiência pública realizada no início de agosto, para debater a implantação da lei, na Câmara Municipal e procurou o parlamentar para pedir ajuda na interlocução com a administração municipal. O encontro aconteceu no início da semana, nas imediações da Praça Ary Coelho.
"Temos sugestão de local, ali na avenida Noroeste, entre a Afonso Pena e a Barão do Rio Branco. Aquele local virou uma concentração de usuários e traficantes que preocupa e afugenta os clientes da região.
Aquele espaço seria muito melhor utilizado gerando emprego e renda para os vendedores ambulantes que teriam condições dignas de trabalho", declarou o líder da associação.
Em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), foi informado que o registro citado realmente existiu: a Associação dos Vendedores Ambulantes (AVA), mas foi extinta. Foi reforçada ainda, a criação da comissão que realizará levantamento sobre a situação dos ambulantes e da qual fazem parte, representantes do Executivo Municipal.