Presa há duas semanas por suspeita de matar o enteado, Rodrigo Moura Santos, 1 ano e meio, Jessica Leite Ribeiro, 21 anos, foi transferida de Dourados para o presídio feminino de Corumbá, na manhã de hoje. Desde o dia 16 de agosto, ela estava em um espaço improvisado na 1ª Delegacia de Polícia Civil, aguardando vaga em unidade prisional feminina.
Jessica foi indiciada por homicídio qualificado. Ela assumiu a autoria das lesões que levaram o bebê a morte. De acordo com depoimento da suspeita, encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), ela confessou que “teve acesso de raiva, ocasionado pelos constantes choros da criança, além de outros problemas pessoais”. Em outro trecho ela cita que “utilizou as mãos e o joelho para apertar com força o abdômen do bebê, tendo também pisado nas costelas.” O ataque de fúria teria sido motivado pelo chorro constante da vítima, o que motivou as agressões fatais.
A mulher isentou de culpa o marido e pai da criança Joel Rodrigo Ávalo Santos, 25, mas ele continua preso na Penitenciária Estadual de Dourados, já que foi indiciado por maus tratos.
Delegado Francis Flávio Tadano Araújo Freire disse ao site Edição de Notícias que, apesar do depoimento de Jessica dizendo que o pai não participou das agressões, o bebê tinha marcas de maus tratos recentes e sinais de que era agredido há vários meses.
Na segunda-feira (27), juiz da 3ª Vara Criminal Cesar de Souza Lima, rejeitou o pedido de relaxamento da prisão preventiva de Joel.
OS FATOS
O caso foi descoberto depois que socorristas chamados por Jéssica constataram que o bebê Rodrigo Moura Santos, já morto, tinha hematomas nas costas, cabeça e pescoço, característicos de espancamento. Legistas apontaram o rompimento do fígado como causa da morte. Segundo a polícia, o casal alegou que os hematomas foram provocados na tentativa de reanimar a criança, que desmaiaria por conta das fortes dores hepáticas que sentia. O laudo negou condição pré-existente no fígado.
Inicialmente, os acusados alegaram que a criança teria se engasgado. A mãe da criança também foi à 2º Delegacia de Polícia local, onde o caso foi registrado, e disse que a filha estava com o pai há nove dias. Ela tem medidas protetivas contra o ex-marido e a mulher dele, justamente por já ter sido agredida, mas não soube informar se a criança sofria violência. Outros familiares dos indiciados serão ouvidos para a conclusão do inquérito e mais pessoas podem responder pelo ocorrido.