Na terra da agropecuária, é a produção de água que tem ganhado força em Campo Grande. Implantado desde 2010 na Bacia do Guariroba, que é responsável por aproximadamente 40% do abastecimento da Capital, o Programa Produtor de Água da Agência Nacional de Águas (ANA) já mudou o cenário ao longo das cinco sub-bacias que formam o córrego. A região tem 36 mil hectares, onde atuam 65 produtores rurais.
Oito anos depois, o córrego – formado pelas sub-bacias do Guariroba, Saltinho, Tocos, Rondinha e Reservatório, com total de 42 nascentes catalogadas – tem sinais de reação. O volume de água aumentou e 27 hectares ao longo do rio foram recuperados, além de seis nascentes.
Para este ano, a Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP) atua na recuperação de 32 hectares e nove nascentes. “Pra mim, é uma felicidade enorme ver o que fizemos neste tempo e os resultados alcançados. O córrego iria morrer se a gente não agisse”, diz o presidente da entidade e produtor na região há 30 anos, Claudinei Pecois.
Segundo ele, “com todas as ações que desenvolvemos, também conseguimos formar mais nascentes. Em uma área recuperada por um produtor, surgiu um açude, que agora deságua no córrego”, conta.
A preocupação de antes deu lugar à esperança de que a área seja recuperada e protegida, plano abraçado por todos que vivem e trabalham no lugar. “A grande maioria dos produtores já fez as intervenções e melhorias dentro de suas propriedades. Todos viram a importância das ações, para garantir água não só para nós, mas para a cidade também”, explica.
ANÁLISE
O projeto é coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur) e os resultados são acompanhados de perto por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), além de parceiros como a WWF Brasil e a Águas Guariroba, que contribui com a distribuição de mudas nativas do Cerrado para recomposição das matas ciliares.
“Monitoramos a vazão, qualidade da água dos córregos, após a implantação das práticas que estão presentes em mais de 80% das propriedades, para saber se está surtindo efeito. Se não tem conservação, os problemas acontecem, como erosão, chegada de sedimentos na água”, explica a professora da UFMS e doutora em Engenharia Ambiental Cláudia Vianna Bacchi.
“A água do Guariroba é de boa qualidade por conta do projeto. Existe a estrutura de distribuição, apesar de a instalação estar longe. Então, para a captação da água superficial como é ali, é ideal que se mantenha o abastecimento, muito melhor para o sistema ecológico”, explica.
O coordenador de Meio Ambiente e Qualidade da Águas Guariroba, Fernando Garayo, explica que atualmente o Córrego Guariroba é responsável pelo abastecimento de 37% da cidade, já o Córrego Lageado mantém outros 17% e o restante, outros 46%, vem de captação subterrânea, por poços.
“Com todas as medidas adotadas, acaba ocorrendo mais produção de água. A preservação das nascentes e do solo impede o assoreamento do leito. O projeto desenvolvido em Campo Grande é um dos que tiveram mais sucesso no Brasil”, diz Garayo.
Por ano, a empresa disponibiliza 50 mil mudas de árvores nativas. Na região do Córrego Guariroba, aproximadamente 30% do que foi plantado até agora foi cedido pela concessionária.