As maiores temperaturas do ano foram registradas ontem em Mato Grosso do Sul. O município de Sonora, a 362 quilômetros ao norte de Campo Grande apresentou a maior sensação térmica de todo Estado: 46ºC. A temperatura de 41,6ºC também foi a maior neste começo de semana. Lá, a umidade relativa foi de 10%.
Os números são da Estação Meteorológica Anhanguera/Uniderp, que revelou ainda umidade relativa foi de 9% em Coxim, a menor do Estado. Sensação térmica e máxima foram de 43ºC e 39,4ºC respectivamente na segunda-feira. Temperaturas tão altas só foram registradas em outubro do ano passado.
Segundo o meteorologista Natalio Abrão, há previsão de chuva para quarta-feira, mas somente para a região sul. Assim, as condições do tempo podem piorar. “As temperaturas pode, aumentar, estão em elevação. Podem valores maiores” ainda este mês, disse.
Já para hoje, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o céu fica claro a parcialmente nublado com névoa seca e haverá baixa umidade do ar, especialmente no Nordeste e Centro-norte do Estado.
Na região das cidades de Inocência, Cassilândia e Paranaíba, onde desde o dia 31 de agosto, incêndio toma conta de grande área de pastagem - ao menos dez fazendas - o tempo ontem foi quente. Paranaíba registrou máxima de 36,5ºC e sensação de 40ºC com 10% de umidade. Em Cassilândia a temperatura mais alta de segunda-feira foi de 36,6ºC com sensação de 41ºC e umidade em 11%. Não há registros da cidade de Inocência.
Na região de Corumbá, no Pantanal, as temperaturas de setembro estão, na média, 2ºC mais altas em relação ao mês de agosto. Segundo registros da Anhanguera/Uniderp, “em agosto, em Corumbá, nos primeiros dez dias, a média maxima estava em 26,6º C. Já neste mês de setembro, a média máxima está em 28,8º C”, conforme Natálio Abrão.
“Não há previsão de chuva no Estado até amanhã (12), mas pode chover no dia 13. A umidade mínima deve reduzir ainda mais e atingir valores de emergência”, disse também o meteorologista.
INCÊNDIO
Um incêndio florestal que já dura 12 dias atingiu, no mínimo, dez propriedades rurais no município de Inocência, a 330 quilômetros ao nordeste de Campo Grande. O Corpo de Bombeiros de Paranaíba, o único da região, tem dificuldades para conter a queimada e, por isso, o fogo avança e pode continuar a provocar estragos. Além de Inocência, fazendas em Paranaíba e Cassilândia também foram alcançadas pela queimada.
Além da falta de equipes, são apenas quatro militares atuando e a região está sem chuva há, pelo menos, 120 dias – o que facilita ainda mais a propagação dos focos de calor.
“Está bem complicado, por conta do pasto seco. O grande problema é que venta e as fagulhas vão longe.
Além da vegetação, uma casa que estava abandonada queimou. Mas ninguém ficou ferido e a queimada está bem longe das cidades, tanto de Inocência quanto de Cassilândia, apesar de as propriedades serem na divisa dos municípios”, explicou o tenente do Corpo de Bombeiros, Ricardo do Nascimento Miranda.
O fogo começou no dia 31 de agosto, mas os bombeiros só foram acionados no dia seguinte, em 1° de setembro. Porém, até agora, as chamas não foram controladas. A extensão da área atingida também é desconhecida, assim como as causas do incêndio.
“Não sabemos o que provocou ou como começou. Mas inicialmente eram duas fazendas atingidas. Agora são mais. Por isso, pedimos apoio da Capital, com equipes, pois o trabalho lá tem sido intenso, 24 horas por dia”, disse o tenente.
A tentativa de conter as chamas esbarra na dificuldade de acesso ao local. “Estamos tentando controlar o fogo, sem causar maiores danos. A região tem um morro e não há comunicação. Além disso, fica a aproximadamente 160 quilômetros de Paranaíba”, contou Nascimento.
Não há Corpo de Bombeiros em Inocência nem emCassilândia. Assim, aceiros estão sendo formados na base da serra para conter o avanço do fogo.
Onze tratores auxiliam os trabalhos. Cerca de 20 homens, entre militares e civis, atuam no combate, seja com bombas costais ou com abafadores. Não há combate aéreo do fogo em MS.
O presidente do Sindicato Rural de Inocência, Edir Maia, confirmou que os municípios estão sem chuvas há meses. “É um incêndio de grande porte, estamos acompanhando e, sem chuva, a situação é crítica”.