Por volta das 15 horas deste sábado, o grupo Mulheres Pela Democracia se reuniu na Praça Cuiabá, conhecida como Cabeça de Boi, no bairro Amambaí, para caminhada em protesto contra o discurso do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, segundo elas, representa risco aos direitos da população.
De acordo com o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, que faz a segurança, 1.500 pessoas participam do ato em Campo Grande (número pode aumentar), que teve início com a apresentação Slam Campão e ainda conta com sarau cultural e intervenções artísticas, e vai fechar à noite,com o 1º Grito de Carnaval do bloco Tá Dando Pinta. A previsão de encerramento é às 20h e em função da grande concentração de pessoas, foi interditado trecho próximo à Praça Cuiabá, no cruzamento com a Rua Dom Aquino. “É pelo futuro dos nossos filhos”, disse a enfermeira Adriele Benites, de 31 anos.
Segundo informações do grupo organizador, composto por 30 mulheres, a passeata traz enfoque ligeiramente diferente em relação à anterior, realizada no dia 29 de setembro. “Mudamos o discurso agressivo do "Ele Não". Há uma necessidade muito grande de um grito pela democracia. Se ele [Bolsonaro] está negligenciando o debate, pois a população precisa ouvir propostas, está ferindo a democracia”, avalia uma das organizadoras, a fotógrafa, publicitária e educadora Janete Marolli.
As manifestantes lutam contra o que consideram extremismo e incitação ao ódio presentes nas argumentações do candidato. A mesma motivação levou à praça nesta tarde a enfermeira Adriele e o marido Getúlio de Lima, 51 anos, educador, que participaram da manifestação com os filhos Maysa, de nove anos, Jaime, de sete anos, e Joel, de cinco. “É o risco à democracia que estamos correndo em relação aos nossos direitos. Viemos aqui para lutar por esses direitos”, disse.
Para Getúlio, o movimento é importante, porque mobiliza, primeiramente, as mulheres. Em segundo, chama a atenção para a situação política e também trata do futuro do país. “É uma manifestação democrática, de unidade, de pensar o futuro do país. Queremos um país democrático, reforçando os direitos e principalmente a Constituição, que não pode ser perdida com um discurso de ódio”, afirmou.
A professora Dina Maria da Silva, 51 anos, contou que esteve na passeata anterior e mais uma vez decidiu ir para as ruas pelo "Ele Não". "Sou a favor da democracia. Estamos perdendo direitos e se continuar do lado da extrema direita, já sabemos qual vai ser o nosso futuro, mais perda de direitos", defendeu.
O chacareiro Jair Arruda, 54 anos, também disse que foi para a Praça Cuiabá justamente para participar "dessa passeata a favor da democracia". "Agora que soube dos outros eventos (como o Grito de Carnaval), vou ter que ficar até o final", completou.
A caminhada saiu da praça às 16h40, sentido à Rua Antônio Maria Coelho. Entre as participantes, a dona de casa Ilda Cardoso, 52, mãe da musicista Mayara Amaral, assassinada em julho do ano passado. O nome da jovem estampava as camisetas de algumas das manifestantes da passeata. "O que me motiva a estar aqui é a luta das mulheres. Elas estão gritando por socorro e esse é o momento de vestirmos essa camisa", justificou.
FAVORÁVEL
Amanhã os apoiadores de Jair Bolsonaro programam se reunir para mais uma mobilização que ocorre simultaneamente em mais de 200 cidades do Brasil. A manifestação terá início às 15h, nos altos da Avenida Afonso Pena, nas imediações da Cidade do Natal. A mobilização tem como mote #PTnão e já tem confirmada a presença de milhares de participantes.
Diversas cidades do interior de Grosso do Sul, bem como Capitais de todo o Brasil realizarão o protesto, que é organizado aqui em Campo Grande pelo QG Voluntários do Bolsonaro. Como o ato é aberto à comunidade, a organização pede que quem aderir à manifestação vista-se de verde e amarelo para simbolizar o patriotismo e a defesa da eleição de Bolsonaro.
*Matéria atualizada às 17h30min para acréscimo de informações