Mesmo com três médicos escalados para o plantão no Centro Regional de Saúde (CRS) Dr. Waldeck Fletner de Castro Maia, posto 24h no bairro Coophavilla II, em Campo Grande, somente um profissional atende as mais de 60 pessoas que esperam por um auxílio, o que causa horas de espera.
Conforme apurado pelo Correio do Estado, na tarde desta quarta-feira (23), muitos pacientes esperavam desde antes das 9h no local, resultando em espera de mais de seis horas.
É o caso da doméstica Clara da Silva, de 38 anos, que chegou com dores no quadril e até urinou sangue. “Eu passei pela triagem e me mandaram esperar; depois ninguém mais deu satisfação”, disse ela, que já espera há mais de 6h.
O atendimento não passa da triagem, conforme os pacientes. A reportagem observou que na sala onde é realizado o procedimento havia duas pessoas sentadas e conversando.
Clara e outras pessoas esperam sentadas no chão da unidade por conta da superlotação. Outra que aguarda atendimento, Giovana Alves foi ao posto 24h na esperança que teriam médicos a disposição, mas encontrou uma realidade diferente. “Desde a hora que eu cheguei se eu vi três pacientes serem atendidos foi muito”, contou ela.
Por falta de cadeiras, população espera sentada no chão da unidade / Foto: Luana RodriguesNo local também há pessoas deitadas no chão, que por estarem tão mal não conseguem ficar sentadas. Na mesma situação está Nathan Oliveira, de 42 anos, que faz tratamento contra o vírus da Chikungunya. Por conta da doença, ele estava com muitas dores no corpo e procurou uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF), mas se deparou com a falta de médicos.
Ao procurar o posto 24h, Nathan encontrou um cenário pior, além carência de profissionais, a longa fila de espera. “É uma situação humilhante você precisar de um remédio, estar com dor, e não ter nenhum médico para atender”, reclamou ele.
Sem conseguir levantar o braço, por dor no ombro, a aposentada Geni Paula, de 66 anos, procurou a unidade às 9h e encontrou uma longa fila. Depois de muita espera ela acionou a assistência social, que confirmou a carência médicos.
“Teve gente que chegou de madrugada e não conseguiu atendimento. Tinha uma mulher com muita dor deitada no banco, chegou com a pressão baixa. Vi que ela estava muito passando muito mal e chamei o enfermeiro que levou ela para observação, mas tem outras pessoas aqui na mesma situação e eles não fazem nada”, contou ela.
A reportagem tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), mas até fechamento desta matéria não obteve um retorno.