Cidades

PERIGO NA MINEIRAÇÃO

Imasul conclui vistoria nas barragens e divulgará diagnóstico em 15 dias

MPF acompanhou trabalho em Corumbá com outras autoridades

Redação

30/01/2019 - 19h48

O grupo de trabalho coordenado pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), vinculado à Semagro (secretaria estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) vistoriou nesta quarta-feira (30) as nove barragens de resíduos de minério de ferro e manganês existentes em Corumbá, com o acompanhamento do Ministério Público Federal.

Ao final da inspeção, iniciada às 9h, na mineradora Vetorial, e encerrada às 17h30, na Vale, os membros do grupo interdisciplinar se reuniu com o diretor-presidente do Imasul, Ricardo Eboli, e ficou decidido que um diagnóstico preliminar do que foi visto e levantamento quanto às condições físicas e de segurança das barragens será divulgado em 15 dias. Os técnicos argumentaram que, diante da complexidade dos sistemas, qualquer julgamento antecipado poderia comprometer o trabalho.

“Uma coisa temos certeza: a população urbana de Corumbá e Ladário não seriam afetadas em caso de um incidente em uma das barragens”, afirmou Ricardo Eboli, em rápido contato com a imprensa de Corumbá. Ele adiantou que o relatório da inspeção será encaminhado ao Ibama, órgão responsável pelo licenciamento das barragens. “É preciso cautela, não podemos nos precipitar em conclusões sem um parecer de cada órgão que participa desse grupo de trabalho”, explicou.

A VISTORIA

A procuradora da República, Maria Olívia Pessori Junqueira, participou da vistoria e também não apresentou conclusões, declarando apenas que a visita, onde fez vários questionamentos aos técnicos das empresas, e o diagnóstico a ser apresentado pelo Imasul serão importantes para as investigações realizadas pelo MPF para apurar as condições de operacionalidade das barragens e o plano de atendimento emergencial à população situada na área de risco.

A vistoria foi iniciada na barragem Sul, situada na Mina Laís (moradia de Urucum), a maior da Vetorial, com sua capacidade máxima de 800 mil metros cúbicos, com projeto para ser ampliada para 1 milhão de metros cúbicos. Em caso de rompimento, essa barragem atingiria dois córregos e a lama se estendia por 7 km. Em seguida, o grupo visitou a barragem Monjolinho (morraria de Santa Cruz), para 150 mil metros cúbicos.

A principal barragem da Vale, a Gregório (morraria de Santa Cruz), com capacidade para 9 milhões de metros cúbicos, opera há 27 anos sem apresentar problemas. Os técnicos da empresa mostraram outras barragens com rejeito seco, em processo de retomada operacional, e também unidades que estocam rejeitos de manganês, em menor escala em relação ao minério de ferro. Essas barragens estão situadas às margens da BR-262, em Urucum.

Participaram da vistoria, integrando o grupo de trabalho montado pelo Imasul, a prefeitura de Corumbá, Defesa Civil do Estado e do Município; Corpo de Bombeiros; Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/MS); Polícia Militar Ambiental; Ministério Público do Trabalho;  e Associação de Engenheiros e Arquitetos de Corumbá.

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