Cidades

ALERTA

Duas novas cepas de rotavírus <br>são identificadas

O rotavírus equino-humano apareceu no país em 2015

Redação

04/02/2019 - 08h53

Desde 2006, a atual geração de vacinas tem dado conta de prevenir a maior parte dos casos de rotavírus, que causa vômitos, cólicas, diarreia e é responsável por 40% das internações hospitalares de crianças no Brasil.

No entanto, um sinal amarelo foi aceso com a identificação de duas novas no país, de acordo com um novo estudo.

O trabalho, publicado na revista científica Journal of General Virology e que envolveu pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz (IAL) e do Instituto de Medicina Tropical da USP, mostrou que uma cepa que mistura material genético de vírus equino com vírus humano é hoje a mais comum nas análises que chegam ao IAL, o qual analisa material do Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste.

O rotavírus equino-humano apareceu no país em 2015. Em 2017, já correspondia a 80% de todas as amostras positivas para rotavírus.

Esse tipo de combinação das partes entre as cepas que infectam animais diferentes não é tão rara, afirma a pesquisadora Adriana Luchs, do Adolfo Lutz. Só que geralmente os vírus resultantes dessas combinações acabam num beco sem saída, infecciosamente falando –eles até conseguem infectar mamíferos ou aves, mas não conseguem ir adiante e infectar outro animal.

A explicação aventada pelos cientistas é que o rotavírus equino-humano teria se propagado pelo país a partir de Foz do Iguaçu, onde foi encontrado pela primeira vez em março de 2015 numa garota de dez anos que não havia sido vacinada. Desde então, o vírus circulou no Paraná até maio de 2016 até se espalhar por outros estados.

A pesquisa de Luchs e colaboradores, apoiada pela Fapesp, também identificou um outro vírus, o DS-1-like G1P[8], que só havia sido encontrado na Ásia. Essa cepa provavelmente chegou com alguém vindo daquele continente.

Apesar de ter sido um achado pontual, em 2013, ele tem importância: é justamente a partir da cepa G1P[8] que foi formulada a primeira vacina contra o rotavírus (da farmacêutica MSD). E ela tem funcionado bem contra todos os parentes que tem esse sobrenome P[8], que identifica uma das proteínas presentes na superfície do vírus, diz Luchs.

Uma emergência desse subtipo poderia indicar que a vacina está deixando de fazer efeito –o que, por ora, é apenas especulação. De todo modo, ressaltam os cientistas, é melhor ficar atento e manter o monitoramento a todo vapor.

A transmissão do rotavírus se dá geralmente pela via fecal-oral, ou seja, uma grande quantidade de vírus é dispersada pelas fezes. Resistentes, os vírus aguardam no ambiente até que surja uma nova oportunidade para infectar algum outro animal, reiniciando o ciclo.

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