O cenário de destruição e sujeira foi a realidade encontrada nesta quarta-feira (27) pelas pessoas que transitavam em diferentes pontos de Campo Grande. A força das águas pluviais arrancou árvores, pavimentação asfáltica e alagou várias residências.
O motivo foi a intensidade das precipitações, visto que o total previsto para o mês de fevereiro era 171,4 milimetros e somente ontem (26), o índice alcançou 108,2 milímetros, conforme informações da Estação Meteorológica da Anhanguera Uniderp e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No bairro São Francisco, Divina Alves, 55 anos e o esposo, João Fernandes, 77 anos, verificavam desolados os estragos que a chuva causou na rua Frutuoso Barbosa, endereço no qual moram há 30 anos. A força da enxurrada levou quase toda pavimentação asfáltica e também o esgoto, provocando uma cratera em frente à casa.
"No começo, eu e meus netos tentamos conter a água que subia e invadia a varanda de casa. Além disso, meu marido colocou umas tábuas no portão de entrada, para tentar conter a entrada em nossa casa. Fiquei apavorada e confesso que quase enfartei com essa situação de impotência", desabafou Divina.
Na avaliação do marido, João Fernandes, esta foi a pior chuva que aconteceu na região, desde que mudou para o bairro e pede providências para a prefeitura de Campo Grande. "Não tem nem 10 anos que esse asfalto foi feito e saiu quase tudo, sem contar o esgoto. Estou preocupado e não vou esperar outra situação dessa, por isso, pretendo tirar o portão e construir um muro para evitar que a água invada minha casa", revela.
FRENTE DE TRABALHO
A reportagem do jornal Correio do Estado foi em vários locais afetados pela enchente e na Avenida Rachid Neder e Ernesto Geisel, equipes da Solurb (concessionária que realiza serviços de recolha de lixo) estão desde o início da manhã recolhendo entulhos e tentando liberar o fluxo na via.
O servidor público, Daniel Sitonio, 40 anos, mora no condomínio em frente a rotatória que dá acesso a Avenida Ernesto Geisel e lembra que familiares ligaram muito assustados para ele, falando que não voltasse para casa, pois não tinha como ele entrar.
"Foi uma situação assustadora e na minha opinião acontece por falta de infraestrutura no começo do córrego. Então quando chove é isso, a enxurrada carrega pedras, arvores, lama e todo tipo de lixo", observa.
Outro ponto bastante comprometido na região é a Rua Carlota de Almeida Lemos esquina com a Avenida Tamandaré, que teve quase toda a pavimentação arrancada pela enxurrada. No local, cerca de 20 pessoas trabalham para tentar liberar o acesso, interditado pela falta de condição de circulação.
Confira imagens gravadas por dona Divina pelo aparelho celular: