Portaria publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial do Estado, pela Delegacia-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, cria mutirão para resolução dos mais de 800 inquéritos parados na Delegacia de Bataguassu e que comprometem o fluxo de atendimento à população. A medida revela problema enfrentado por pelo menos outras 4 unidades em consequência da escassez de efetivo.
Conforme a publicação, o Ministério Público já havia instaurado procedimento para apurar a demora na resolução dos centenas de inquéritos em trâmite no cartório da delegacia. Como forma de solucionar o problema, o delegado-geral Marcelos Vargas estabeleceu a criação de força-tarefa que conta com policiais civis das cidades de Anaurilândia e Santa Rita do Pardo, que vão ajudar ao longo da semana, em dias alternados com recebimento de diárias.
O próprio delegado expôs que o mutirão se fez necessário, pois “não seria possível efetuar remoção de servidores para atender aquela unidade policial, vez que apenas ocorreria uma transferência do problema para outra unidade”. Giancarlo Corrêa Miranda, diretor-presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol/MS), afirma que a escassez do efetivo afeta todas as delegacias do estado.
Água Clara, Miranda, Aquidauana e Itaquiraí estão na mesma situação que Bataguassu, garante. As unidades de Ivinhema, Nova Andradina, Brasilândia, Três Lagoas, Chapadão do Sul, Sonora, São Gabriel do Oeste e Rio Verde também podem entrar em colapso em breve. “Praticamente todas as regionais do estado enfrentam este tipo de problema”, disse Miranda.
Ele ressalta que no caso de Bataguassu, por exemplo, não há escrivão de carreira. “Os investigadores de lá têm acúmulo de função como escrivães. Às vezes, servidores cedidos pelo município, ou até mesmo estagiários fazem essa função”. Atualmente, o estado conta com 1.200 investigadores e escrivães trabalhando, mas o necessário seria pelo menos de 2.100. “Tem esse concurso que está travado e ainda temos déficit de 70% do número de Agentes de Polícia Científica”.