Brasil não encara a China como uma ameaça estratégica e considera que o país é um parceiro importante, diz em entrevista à Folha o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB).
Por isso, segundo o general, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não vai vetar investimentos da empresa chinesa de telecomunicações Huawei, a despeito das pressões dos Estados Unidos para isso.
Mourão está em Boston para participar da Brazil Conference, evento organizada pelas Universidade Harvard e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Tanto Bolsonaro quanto seu ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já fizeram críticas ao regime de Pequim e defendem uma aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump –que trava atualmente uma guerra comercial contra os chineses.
Os EUA vêm pedindo que o Brasil e outros países bloqueiem investimentos da Huawei, porque ela representaria uma ameaça à segurança nacional e seria usada para espionagem para o governo chinês. "Nós não temos essa visão por enquanto. A segurança é o argumento da guerra comercial (entre EUA e China)", disse.
O vice-presidente também comemorou a iniciativa de Bolsonaro de se reunir com representantes do que o presidente chama de "velha política" para negociar a reforma da previdência. "Acho fundamental que (Bolsonaro) lidere esse jogo", diz.