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Militares perdem embate e temem continuidade da crise no MEC

Militares perdem embate e temem continuidade da crise no MEC

Redação

09/04/2019 - 05h00
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A ida de Abraham Weintraub para o lugar do desgastado Ricardo Vélez no Ministério da Educação foi vista com desconfiança por membros da cúpula militar do governo Jair Bolsonaro. Eles temem a continuidade da crise que paralisou a pasta.

A remoção de Vélez do MEC era, para os fardados, uma oportunidade de se afirmar ante o chamado grupo ideológico do governo, aderente das ideias propagadas pelo escritor Olavo de Carvalho.

As duas alas colecionam divergências, notadamente em política externa e na educação, e Olavo já trocou críticas públicas com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, e com general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro de Governo.

Weintraub, ainda que tenha trabalhado sob a organização do general Augusto Heleno quando o hoje ministro coordenava o pré-programa de governo de Bolsonaro e não seja um aluno declarado de Olavo, vibra mais na faixa de frequência do ideólogo do que na da ala verde-oliva.

Oficiais generais da ativa e da reserva próximos de Bolsonaro defenderam para o presidente a escolha de um nome técnico, gestor respeitado no mercado e na academia. Weintraub é economista e tem experiência como professor universitário, mas é virtualmente desconhecido no meio.

O fato de sua indicação ter sido avalizada publicamente pelo filho de Bolsonaro mais próximo de Olavo, o deputado federal Eduardo (PSL-SP), está sendo visto por setores militares como uma provocação do grupo ideológico –que é integrado também pelo chanceler Ernesto Araújo e pelo assessor de assuntos internacionais do Planalto, Filipe Martins. Como revelou o Painel, o próprio escritor, ídolo de Vélez, foi consultado sobre a troca.

Os militares e empresas do setor trabalhavam a indicação do ex-secretário da área em Santa Catarina, Eduardo Deschamps, que presidiu o Conselho Nacional de Educação na gestão de Mendonça Filho (DEM) na pasta. O nome do ex-secretário pernambucano Mozart Neves Ramos também voltou a circular, com um discreto mas poderoso lobby do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Também esteve na mesa a hipótese de nomear o senador Izalci Lucas (DF), mas a recusa do presidente do partido, Geraldo Alckmin, em ceder quadros da sigla para não configurar adesão ao governo Bolsonaro emperrou a negociação.

Não se sabe como ficará o MEC agora, já que a secretaria-executiva da pasta havia sido ocupada pelos militares na semana passada, com a indicação do brigadeiro da reserva Ricardo Machado. A provável remoção do militar e a escolha dos secretários do ministério serão centrais para entender se a crise continuará ou não.

Weintraub é considerado por conhecidos uma figura introvertida, com a carreira próxima da do irmão, Arthur. Ambos raramente dão entrevistas. Durante a campanha e a transição de governo, eles tentaram fazer avançar sua versão da reforma previdenciária, mas acabaram abatidos pelo hoje ministro Paulo Guedes (Economia).

Os irmãos estão entre os primeiros economistas a se juntarem ao time da pré-campanha de Bolsonaro, já no segundo semestre de 2017. Arthur é hoje assessor na Presidência, enquanto Abraham era o número dois da Casa Civil do amigo Onyx Lorenzoni (DEM).

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