Cidades

TRÂNSITO

Agetran instala semáforos <br>sem estudo de tráfego

Enquanto cruzamentos importantes e perigosos ficam sem sinalização, outros não têm necessidade

Sem plano de semaforização, equipamentos são instalados em Campo Grande, muitas vezes de forma aleatória e, em alguns casos, atendendo a pedido de vereadores sem nenhum tipo de embasamento técnico. A situação fica evidente quando as novas instalações são confrontadas com informações disponibilizadas no site oficial da Câmara Municipal, onde os parlamentares comemoram quando suas solicitações são atendidas.

Desde o início do ano até agora, foram inúmeras “notícias” publicadas informando sobre pedidos e instalações. Algumas chamam atenção por mais de um vereador afirmar ter sido o responsável por conseguir a benfeitoria. É o caso do equipamento colocado na Rua 13 de Maio, no cruzamento com a Travessa Guia Lopes, em frente ao Centro do Especialidades Médicas (CEM). Instalado no início do ano, o equipamento tem como “pais” os vereadores Cida Amaral (Pros) e Loester de Oliveira (MDB). Ela foi mais rápida e divulgou notícia sobre ter conseguido o semáforo no dia 5 de fevereiro. Já Loester só avisou a população sobre a melhoria no trânsito do local no dia 3 de maio.

Cida também afirma ser a “mãe” do semáforo na Avenida Marquês de Lavradio, no cruzamento com a Rua Professor Xandinho e Avenida Rouxinol. Em notícia divulgada no dia 22 de março a vereadora informa que pediu a instalação na sessão ordinária do dia 15 de maio de 2017. Ou seja, até mesmo os parlamentares precisam esperar para conseguir ter os pleitos atendidos. Neste caso, foram quase dois anos de espera além de inúmeros acidentes no cruzamento.

Mas, o vereador João César Mattogrosso (PSDB) também alega ser autor do pedido. No dia 25 de março, a assessoria do parlamentar divulgou a notícia sobre o semáforo e afirmou que a indicação foi pedido de Mattogrosso. “Veio primeiramente dos moradores do Condomínio Parque dos Coqueiros e Residencial Sevilha, que nos solicitaram a elaboração de estudos técnicos para colocar em prática o uso da sinalização permanente, já que o fluxo de veículos é intenso, principalmente em horários de pico”, disse o parlamentar.

O local realmente precisava de um equipamento há anos, porém, foi a própria Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) que identificou a necessidade. Mas a instalação teria ocorrido, conforme levantado pelo Correio do Estado junto a funcionários da autarquia - que pediram para não serem identificados - apenas para agradar os parlamentares. “A gente não tem material, está tudo sucateado. E o pouco que tem ficam dando jeitinho para atender pedido de vereador. Enquanto existem lugares que realmente precisam”, disse o servidor.

Em outro ponto da cidade, o semáforo instalado no principal cruzamento do Bairro Nova Lima, nas ruas Zulmira Borba e Jerônimo Albuquerque, tem causado tumulto. O local teve o semáforo retirado em outubro do ano passado e, após pedido feito pelo vereador Carlão (PSB), foi reinstalado. “A Agetran não tem estudo para instalar e vai colocando de qualquer jeito, conforme os vereadores pedem. E eles lá sabem o que deve ser feito?”, questiona funcionário da Agetran. Outro ponto questionável para ter um semáforo é o da Avenida Ministro João Arinos próximo a Rua Soldado PM Reinaldo de Andrade, em frente a MS Gás. A avenida tem fluxo rápido, porém, não é intenso, e a rua dá acesso ao Bairro Arnaldo Estevão de Figueiredo, com pouco trânsito de veículos e pedestres. Já nos bairros há necessidade de instalação, por exemplo, no cruzamento da Avenida George Chaia com a Rua do Hipódromo. 

RESPOSTA

O diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine de Lima Bruno, confirma os “pedidos”, mas nega que as instalações sejam feitas sem estudos. “Pedido de vereador tem bastante, mas a gente trabalha em cima de estatística de acidentes com informações do Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito (GGIT)”.

Mas para atender os diversos pedidos feitos pelos vereadores, a Agetran acaba ignorando cruzamentos com necessidades reais e mais urgentes. É o caso da Rua Paraíso com a Avenida Capital, na Vila Margarida. Os condutores que trafegam pela via, com a intenção de cruzar a movimentada avenida, esperam por vários minutos. Próximo ao local, em frente a e Escola Estadual Professor Henrique Cirilo havia uma lombada eletrônica, que obrigava a redução da velocidade, mas o equipamento está inoperante. 

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