Cidades

GREVE GERAL

Não queremos ser moeda de pressão, diz médico da Santa Casa

Paralisação dos médicos está prevista para começar amanhã às 19 horas

Redação

27/06/2019 - 14h07

Não é de hoje que a Santa Casa está com problemas, mas agora os médicos que trabalham na instituição não querem mais servir de moeda de pressão, responsabilizados por falta de atendimento. É o que diz o médico cirurgião de tórax da Santa Casa, Sérgio Ocampos, que usou a Tribuna na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (27), para falar sobre a crise gerada no hospital pela falta de pagamento dos médicos.

“Não queremos ser usados como moeda de pressão entre uma instituição e outra. Nos médicos não fazemos parte da administração da Santa Casa. A nossa preocupação é que a população não pense que são os médicos que estão parando o funcionamento da Santa Casa. Chegou um ponto muito difícil de continuar atendendo de forma normal, como se deve, com essa falta de pagamento”, argumenta o médico. 

Na segunda-feira (24), os médicos celetistas da Santa Casa em assembleia deliberaram que iriam paralisar as atividades na sexta-feira (28), a partir das 19 horas, caso o hospital não pagasse os salários que estão a meses atrasados. 

De acordo com o cirurgião, os médicos autônomos que não possuem vínculo com a CLT (Consolidação das Lei do Trabalho) atuantes na Santa Casa estão há meses sem receber o repasse feito pelo Ministério da Saúde à Santa Casa. “Estamos com atraso há vários meses. A Santa Casa não adiciona nada na remuneração feita a esses médicos autônomos, apenas faz o repasse do governo da tabela do SUS”, explicou. 

Ele explica que o Ministério da Saúde já fez os repasses para a Santa Casa e não fez os repassasses para os médicos. "Esses serviços de alta complexidade vão sofrer paralisação, não tem como continuar. A Santa Casa está em dívida com a gente. A ortopedia vai paralisar a partir de amanhã o atendimento dela, vai criar um caos na cidade. Para complicar ainda mais a situação ocorreu atraso dos médicos celetistas, que são os contratados pela Santa Casa sobre o regime da CLT”, alertou.  

Sérgio Ocampos explicou ainda que a ausência do repasse aos médicos deve ser analisando afinco, pois isso só é a ponta do iceberg “Meu motivo de estar aqui é mostrar que pode ter um caos na saúde, não é só aumentar a verba para resolver isso, é gerenciar essa verba, para que essa verba possa ser otimizada. Estamos caminhando para uma situação que vidas podem ser perdidas. A Política é muito importante para que haja uma discussão técnica”, concluiu. 

O presidente da Comissão Especial da Santa Casa, vereador Dr. Wilson Sami explicou que a Câmara montou essa comissão que fez pedido de informações sobre relatórios de convênios do que recebe da prefeitura, União e Estado para tentar desvendar porque a Santa Casa não sai do vermelho. A Comissão já recebeu os relatórios e está fazendo analises dos documentos com ajuda de auditores em contabilidade e direito tributário. “Nós já estamos fazendo as análises e já pedimos para a prefeitura, Estado e Ministério da Saúde documentos que provam o repasse dos recursos”, explica. 

A comissão é composta pelos vereadores Dr. Wilson Sami, Cazuza, Dr. Cury, Delegado Wellington e André Salineiro. 

 

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