Cidades

MILÍCIA

Prefeitura demite guarda municipal envolvido com grupo de extermínio

Demissão do guarda Marcelo Rios foi divulgada em Diário Oficial

Redação

04/09/2019 - 16h19

Preso desde 19 de maio deste ano, o guarda municipal Marcelo Rios foi oficialmente demitido pela Prefeitura de Campo Grande. O guarda é acusado de envolvimento com uma quadrilha de extermínio que atuava na capital e teria ligação com pelo menos três execuções ocorridas nos últimos 12 meses. A demissão foi divulgada em Diário Oficial desta quarta-feira (04).

No decreto autorizado pelo prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSB), em que consta a demissão do guarda, são expostas como justificativas para o ato irregularidades funcionais e infrações como improbidade administrativa, incontinência pública e conduta escandalosa. Marcelo Rios foi preso em flagrante em uma casa da capital onde estava armazenado um verdadeiro arsenal bélico: 26 armas, sendo dois fuzis AK-47, quatro fuzis 556, 11 pistolas nove milímetros, 4 pistolas .40, uma pistola 380, uma pistola calibre 22, um revólver calibre 357, uma espingarda calibre 12 e outra calibre 22, além de milhares de munições.

Rios virou alvo do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) da Polícia Civil durante a apuração das execuções do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo (morto no mês de junho do ano passado); do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, o “Bomba” (executado em outubro de 2018); e do estudante Matheus Coutinho Xavier, filho do capitão reformado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto Teixeira Xavier (assassinado em abril deste ano).

Apesar dos indícios de envolvimento nos homicídios, Rios foi denunciado apenas pelos crimes nos quais foi flagrado, entre eles, posse e porte ilegal de armas. O guarda seria o responsável pela custódia do armamento empregado nos crimes, o que levou  a prendê-lo em flagrante. Ele pode ser condenado por até 6 anos de prisão para cada uma das armas apreendidas. 

TRANSFERÊNCIA

Inicialmente, o guarda municipal foi mantido preso preventivamente no Centro de Triagem de Campo Grande. Em 21 de junho, Rios foi encaminhado para o Presídio Federal da Capital. Já no dia 29 de agosto, a Justiça decidiu autorizar a transferência do criminoso para outra prisão do governo federal, a de Mossoró (RN), distante 3,2 mil quilômetros da capital sul-mato-grossense. 

No pedido de transferência, a Agência de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen) utilizou como justificativa o alto grau de periculosidade do preso, envolvido com milícias de extermínio responsáveis por três execuções ocorridas em Campo Grande desde o ano passado, além da suspeita de de envolvimento de outros agentes da segurança pública e de empresários da Capital nos crimes.  “Marcelo seria apenas uma peça em um universo aludido a uma organização criminosa, com características de milícia e/ou grupo de extermínio, com grande poderio de fogo, tendo em vista todo o armamento apreendido na ação (fuzis, carabinas, pistolas, revólver e munições), podendo este grupo estar relacionado com 3 (três) grandes crimes de execuções praticados nesta capital, que vitimaram um policial militar aposentado, que à época exercia a função de chefe de segurança na Assembleia Legislativa de MS, e o filho de um capitão da reserva da PMMS”, alegou o órgão penitenciário estadual.

GRUPO CRIMINOSO

O acusado não foi o único guarda municipal a ser preso. Além de Marcelo Rios, são suspeitos de envolvimento com o grupo criminoso em questão dois empresários da Capital, além dos agentes da Guarda Municipal, Rafael Antunes Vieira e Robert Vitor Kopetski, juntamente com o motorista Flavio Narciso Morais da Silba.   

Os três últimos foram presos no dia 22 de maio por obstrução de justiça, depois de, segundo a polícia, tentarem sequestrar a esposa de Marcelo Rios com o objetivo de impedir uma possível delação. O trio conseguiu ser libertado no dia 31 de maio, mas dois meses depois voltaram à prisão por determinação do Tribunal de Justiça. Recentemente, foram denunciados pelo Gaeco por crime de “organização criminosa” e tornaram-se réus.

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