Cidades

PARQUE DAS NAÇÕES

Recuperação de lago maior está abandonada

Retirada de areia foi concluída no dia 15 de agosto, mas até agora o Estado não finalizou sua parte

Redação

14/09/2019 - 10h30

A obra de desassoreamento do lago do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, que teve conclusão da retirada de terra anunciada pela prefeitura no dia 15 de agosto, agora está totalmente parada. Um mês após o município divulgar ter concluído sua parte no acordo, feito em maio com o governo do Estado, finalizando a retirada de sedimentos do leito 60 dias antes do prazo inicial previsto, o restante dos trabalhos que seriam necessários para a revitalização do local não teve nenhum andamento.

A reportagem do Correio do Estado esteve na área do lago na sexta-feira (13) e verificou que todo o serviço foi suspenso; nenhuma máquina ou trabalhador estavam no local. Tapumes continuam instalados na área de caminhada do parque, impedindo o acesso dos pedestres às laterais do lago.

Questionada, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), que é responsável pela segunda etapa da obra – por exemplo, encher novamente o espaço com água –, informou apenas que é feita uma avaliação técnica. Inicialmente, a área deveria receber obras específicas, inclusive com a construção de gabião (estrutura de pedras e tela para facilitar a drenagem de água). Porém, a Semagro disse que não há informações sobre a continuidade da obra e somente está em andamento a avaliação mencionada. A pasta não informou prazos para finalização e quais trabalhos foram feitos até agora. O titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, informou que a prefeitura concluiu a parte que lhe cambia no convênio. “Concluímos em agosto. O enchimento ficou para o governo do Estado fazer”.

TRABALHO

A princípio, a retirada de sedimentos do lago seria concluída apenas em outubro. Mas acabou ocorrendo no mês de agosto, na tentativa da prefeitura de entregar a intervenção como parte das ações comemorativas aos 120 anos de Campo Grande. Porém, a conclusão do serviço acabou não ocorrendo e, de acordo com a Semagro, não tem data definida.

No total, foram retirados 135 mil metros de areia, em uma operação que exigiu 12.500 viagens de caminhão até o local de descarte, nos fundos do Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante e População de Rua (Cetremi), no Parque dos Poderes. Sobrou apenas o piso compactado do lago (com 3 a 5 metros de profundidade), que não pode ser retirado porque está sobre um solo brejoso natural. Os filetes de água em toda sua extensão compõem o leito natural do Córrego Prosa.

“Encerrada esta fase, o lago será entregue oficialmente ao Imasul [que gerencia o Parque das Nações], que fará reparos nas paredes de gabião no entorno do espelho d’água. Fechadas as comportas, em dois dias o lago estará cheio, com 250 mil metros cúbicos de água retidos do Córrego Prosa, readquirindo as características de um dos cartões-postais da Capital”, disse a prefeitura no dia 15 de agosto. Mas o lago continua vazio e o trabalho está incompleto.

Do lago principal, que se espalha por 5 hectares, foram retirados aproximadamente 115 mil metros de cúbicos de areia, o que exigiu 11 mil viagens de caminhão. O trabalho no lago menor, iniciado dia 11 de junho, terminou duas semanas depois, dia 25. Foram retirados 15.474 metros cúbicos de areia, exigindo 1.500 viagens de caminhão.

A recuperação dos lagos do Parque das Nações Indígenas exige investimento de R$ 8 milhões: R$ 5 milhões em recursos da prefeitura e R$ 3 milhões do governo do Estado. Com as intervenções programadas, segundo Rudi Fiorese, além de recuperar o cartão postal da Capital, os lagos terão um papel importante no controle de enchentes de afluentes do Córrego Prosa, que em dias de chuva mais intensa transbordam na região do Shopping Campo Grande. Terão capacidade para armazenar 65 mil metros cúbicos de água.

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