Cidades

CALORÃO

Sem chuva e com queimadas, Corumbá tem sensação térmica de 43°C

Hoje os termômetros marcaram 37°C na Cidade Branca

Ricardo Campos Jr

31/10/2019 - 12h45

Sem chuvas em com vários focos de queimadas ao redor, Corumbá registrou sensação térmica de 43°C nesta quinta-feira (31), conforme o meteorologista Natálio Abrão da Uniderp. Segundo ele, a última vez que o município pantaneiro viu uma gota d'água cair do céu foi há 15 dias, enquanto a temperatura média do mês é de 35°C.

Hoje os termômetros marcaram 37°C na Cidade Branca, embora em alguns momentos do dia e conforme a exposição ao sol as pessoas sintam ainda mais calor.

“A média histórica de máxima para Corumbá é de 32,5°C, ou seja, estamos 2,5°C acima. Nos últimos dois dias a temperatura chegou a 38,5°C. Com relação à chuva, o esperado para outubro era 76,1 milímetros e choveu só 11,2 milímetros. A região sempre teve índices baixos de precipitação, mas estamos com atraso de um mês”, pontua.

Natálio afirma que a primavera é a estação mais quente do ano, ao contrário do que muitos pensam. Contudo, as altas temperaturas são amenizadas pelas chuvas. “A situação deve se normalizar no decorrer de novembro. Tem previsão de chuva nos dias 2 e 3”, explica.

Sobre as queimadas, o meteorologista comente que a medida tomada pelo Governo Estadual em prorrogar até o dia 30 de novembro a proibição de queimadas controladas faz todo o sentido. “Com a umidade em declínio e temperaturas elevadas, até se for fazer um teste de fogo você vai perder o controle. A vegetação está altamente e potencializadamente em condições de queimar”.

FOGO

Queimadas que atingem o Pantanal causaram diversos estragos nas cidades da região. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) estima que pelo menos 50 mil hectares de vegetação nativa foram consumidos desde domingo (27).

A fumaça atrapalha a visão dos motoristas que trafegam pelas rodovias em Mato Grosso do Sul, especialmente a BR-262 perto do cruzamento com a MS-450 entre Dois Irmãos do Buriti e Aquidauana.

Chamas também surgiram no pé do Morro do Azeite entre os municípios de Miranda e Corumbá, e logo se alastraram com a força do vento no sentido sul, devastando uma grande área. Novos focos também foram registrados na MS-184, que dá acesso ao Pantanal da Nhecolândia.

O fogo também causa outros transtornos em zonas urbanas. Corumbá foi afetada por diversas oscilações de energia elétrica. Em nota, a Energisa informou que as queimadas provocam o desligamento das linhas de transmissão e consequentes variações de tensão na rede elétrica que atende a região.

Já a Oi informou que as queimadas também estão afetando os serviços de internet fixa, causando o rompimento de um cabo de fibra ótica que atende Corumbá e Miranda, afetando parcialmente o serviço. Telefonia fixa e móvel não foram afetadas. O restabelecimento será feito assim que possível, sob orientação do Corpo de Bombeiros.

O Governo reforçou a equipe que trabalha no combate às chamas com mais bombeiros e aeronaves. Será pedido apoio do Governo Federal para tentar controlar a situação. Trabalham atualmente na operação, dos quais 11 são militares e os demais, brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).

Além de recursos financeiros para movimentação das equipes de combate aos incêndios, o Ministério do Desenvolvimento Regional financiará também a construção de pontes destruídas pelo fogo no Pantanal, que atualmente chegam a três.

Uma base operacional de comando idêntica a que funcionou durante as ações de combate aos focos na Refúgio Caiman, em setembro, será montada para dar suporte logístico às equipes.

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