Mesmo com verba garantida para equipar o centro de exames e consultas, que deve funcionar no antigo Hospital da Mulher, no Bairro Moreninha III, o local continua abandonado e sem a reforma prometida em 19 de fevereiro de 2018. Na época a intenção da Prefeitura de Campo Grande era implantar ali a Casa de Parto e Pequenas Cirurgias. O projeto mudou, mas não saiu do papel.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), José Mauro de Castro Filho, ao todo são R$ 9 milhões destinados pelo Ministério da Saúde ao local, com a condição que de o prédio esteja pronto para uso. “São 9 milhões para equipamentos, que estão empenhados. Somente depois que tiver o contrato para terminar a obra é que essa compra será feita”, explicou.
A previsão é de que o local tenha estrutura de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), centro cirúrgico, laboratório e exames. O projeto de reforma e ampliação do prédio prevê gastos de R$ 5,5 milhões. Esse valor, porém, ainda não foi conseguido pela prefeitura.
A secretaria negocia com uma universidade particular de Campo Grande, através de uma parceria público-privada (PPP). Em troca do valor investido na obra, a instituição receberia vagas de residência médica para seus acadêmicos. Conforme Castro, a previsão é de que haja uma reunião com o reitor da instituição nos próximos dias.
Quando o centro médico estiver pronto, que funcionará como uma “Day Clinic”, serão disponibilizados 23 leitos para internação, além de ter capacidade para fazer cerca de 50 cirurgias eletivas por dia. O foco será nas especialidades com a maior demanda na cidade, especialmente nas áreas de ginecologia, obstetrícia e geral.
A contratualização de serviços de saúde para áreas de cirurgia eletiva de baixa, média e alta complexidade é um dos desafios da Sesau. Alguns hospitais fazem os procedimentos, porém, não garantem a diminuição da fila do Sistema Único de Saúde (SUS) que hoje está em cerca de 5 mil pessoas.
O prédio, após a reforma e ampliação, deverá ter entre 24 e 26 leitos de enfermaria e três salas de cirurgia. Cada uma das salas poderá fazer uma cirurgia por hora, entre às 7h e às 22h ou meia-noite (ainda não está definido o horário de funcionamento da nova unidade).
Segundo a Sesau, a unidade das Moreninhas poderá atender os casos mais simples, como cirurgias de vesícula, apendicite, trauma ortopédico leve e eletivo, ginecologia e pediatria.
Ainda de acordo com o secretário, assim que a PPP for assinada, a reforma e ampliação da área deverá durar seis meses. A previsão é de que, caso a parceria com a universidade – que não teve o nome revelado – seja firmada até o próximo mês, a unidade comece a funcionar ainda este ano.
Para a artesã e moradora das Moreninhas, Elizabeth Simões, 60 anos, um hospital de referência para cirurgias eletivas e com consultas de especialistas ajudaria a reduzir a espera dela. “Eu sou hipertensa, então tenho que ir ao médio de três em três meses e é difícil conseguir agendar pela UBS (Unidade Básica de Saúde) daqui, ainda mais agora que ela está fechada. Um hospital aqui seria muito bom”, avaliou.
Já a jovem comerciante Valéria Barros, de 18 anos, prefere a permanência da maternidade. “Quando eu tive o meu filho, há dois anos, já não estava funcionando, o médico só fez o toque e me encaminhou para outro hospital. Eu acho que deveria continuar como maternidade porque tem muita mulher grávida aqui nas Moreninhas e os hospitais são muito longe”.
HOSPITAL MUNICIPAL
Contrário a isso, o projeto do Hospital Municipal de Campo Grande pode não sair do papel. Para o Ministério da Saúde, que seria o principal financiador da ideia, mais uma unidade de pronto-socorro não é necessária na Capital.
Em visita na semana passada a cidade, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, afirmou que Campo Grande precisa de mais hospitais especializados. Para ele, o melhor seria fazer uma unidade especializada em cardiopatias.
Com isso, o secretário de saúde já sinalizou que a prefeitura pode aderir à sugestão. Tanto que deve ser publicado no próximo mês um chamamento público para entidades privadas que desejem disponibilizar leitos pelo SUS com custo fixo.
De acordo com Castro, quando a Sesau manifestou seu desejo em abrir um novo hospital geral, para desafogar os três centros que hoje oferecem esse tipo de atendimento (Santa Casa, Hospital Regional e Hospital Universitário), algumas entidades procuraram a secretaria para solicitar a inclusão em linhas de financiamento do Ministério da Saúde.
Com isso, a secretaria colocou o projeto do Hospital Municipal em ‘stand by’ e aguarda para saber quantos leitos serão dispostos pela iniciativa privada, caso eles sejam considerados suficientes, o projeto deverá ser alterado conforme o pedido do ministro.