Cidades

EDUCAÇÃO

Alunos temem desvantagem no Enem

Dificuldades com aulas remotas vão de falta de internet até qualidade inferior ao presencial

Com o adiamento do retorno das aulas presenciais na rede pública, alunos que estão em preparação para no Exame Nacional do Ensino Médio, agendado para novembro, temem ficar em desvantagem no exame.  

A estudante da Rede Estadual de Ensino Sabrina Ilara, 16 anos, moradora do Jardim Noroeste, fará este ano as provas do Enem e do Programa de Avaliação Seriada Seletiva (Passe), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Segundo ela, os professores passam atividades pelas plataformas do Google Classroom e Google Drive, mas há dificuldades em absorver conteúdos de algumas disciplinas pelas aulas on-line. “A qualidade das aulas a distância não é a mesma da presencial, mas os professores estão tentando fazer o melhor”.  

Ela explica que seus colegas já foram prejudicados nas avaliações por não conseguirem acesso à internet. “Tem gente da minha turma que tem bastante dificuldade. Na minha sala, acontece às vezes de alguém ficar sem internet, acabar o pacote de dados e a pessoa não ter Wi-Fi em casa. Quando se encerrou o primeiro bimestre, uns 3 alunos ficaram sem nota nenhuma. Não sei como os professores vão fazer para dar nota para eles”.

Conforme a Secretaria Estadual de Educação, alunos sem acesso à internet pegam as atividades impressas nas escolas. É o que acontece geralmente com estudantes da zona rural, que precisam se deslocar todas as semanas até a cidade para buscar o material didático. “Mas é claro que neste período de pandemia a gente vai ter uma perda, é um tipo de situação que a gente não esperava, que foge do controle”, comenta.

VÁRIOS DESAFIOS

As limitações também se estendem para quem já se concluiu o Ensino Médio, mas pretende ingressar em uma universidade pública. O estudante e também residente do Jardim Noroeste Wellington Meira, 18 anos, estuda sozinho em casa para prestar o Enem desde o início do ano.  

Ele quer cursar Educação Física, mas, com a pandemia, viu seus planos se dificultarem. A mãe perdeu o emprego e, com a suspensão das aulas presenciais nas escolas da Capital, seus irmãos ficam em casa todos os dias. Com toda a família reunida, os cômodos, que já era pequenos, diminuem e prejudicam ainda mais o vestibulando.  

“É muito ruim estudar pela internet. Quando tem um professor para ensinar, fica melhor. Tem muitas coisas que não consigo entender nada, mas vou continuar estudando para pelo menos ver se consigo tirar 600 [a pontuação do Enem vai de 0 a 1.000]”.

Para a pedagoga, psicopedagoga e doutora em Educação Gisele Alves, a aplicação de exames neste período seria “crueldade” com os mais pobres. “Não dá para fazer Enem, Enade [Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes] ou cobrar notas, isso é crueldade. Não posso comparar a atividade de uma criança que tem casa com a de outra que não tem o que comer. Pessoas com fome não aprendem”.

Tags

Em Campo Grande

Estudantes recebem bênção para enfrentar o Enem com fé e esperança

Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro abençoa candidatos e canetas antes da prova; gesto busca levar fé, confiança e serenidade

04/11/2026 15h50

Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Foto: Divulgação Arquidiocese de Campo Grande

Continue Lendo...

Cidades

Homem em surto invade escola em Campo Grande e mobiliza polícia

Os pais receberam mensagens sobre o ocorrido e, preocupados, alguns decidiram buscar os filhos na escola

04/11/2026 14h41

Movimento na Escola Vanderlei Rosa de Oliveira nesta tarde

Movimento na Escola Vanderlei Rosa de Oliveira nesta tarde Gerson Oliveira

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).