A Prefeitura tenta reativar os 54 medidores de volume de chuva comprados com dinheiro público que haviam sido abandonados pelas gestões passadas. Os pluviômetros, como são chamados os equipamentos, não estavam gerando dados há mais de quatro anos, alguns deterioraram e outros sofreram com ações de vândalos.
Os aparelhos servem para que o município controle a quantidade de água que cai em pontos estratégicos da cidade. Quando um temporal incide perto da cabeceira de córregos, por exemplo, a Defesa Civil é colocada em alerta para o caso de enchentes.
Sem informações próprias, a solução era contar com ajuda de outros serviços de meteorologia, como o da Uniderp, que tem alguns pontos de coleta de dados nas regiões cientificamente relevantes, já que o objetivo da instituição é a pesquisa.
Uma empresa foi contratada há pouco menos de um mês para consertar e manter os pluviômetros em funcionamento.
Como se trata de terceirização, o processo ficou a cargo da Agência Municipal de Regulação (Agereg). O técnico Ivan Pedro Martins acompanha todo o processo dentro do órgão.
“Os equipamentos ficaram um tempo paralisados. Esses pluviômetros são sintonizados em um aparato chamado data logger, uma espécie de celular só para dados. Você coloca um chip e os aparelhos transmitem o que está acontecendo”, explicou ao Correio do Estado.
Técnicos dessa empresa estão percorrendo os equipamentos um a um para checar o estado de conservação e o que será preciso fazer para que eles voltem a funcionar.
“Por questões de segurança, a maioria foi instalada em escolas. Com o avanço da pandemia, não temos o mesmo acesso que antes. Pode ser que a unidade de ensino esteja fechada e não tenha ninguém que possa nos autorizar a entrar. Então esse problema ainda está sendo equacionado, estamos dando uma geral. Sabemos que pelo menos 70% estão em condições de funcionamento. Existem outros que ficam em vias públicas e sofreram com ação de vândalos”, afirma o técnico.
O serviço vai custar R$ 144 mil aos cofres públicos dentro de um período de um ano. “Nós começamos agora esse levantamento e queremos saber como estão todos os pluviômetros para conseguirmos ativá-los. Tem alguns que ficam na beira de córregos e não só medem a chuva como monitoram o nível da água”, disse Martins à equipe de reportagem.
Não há previsão para que os equipamentos sejam colocados em operação novamente. Conforme o técnico da Agereg, há intenção de disponibilizar os dados de forma aberta no site da agência, além da plataforma utilizada internamente pela Defesa Civil, por exemplo.
“A Prefeitura usa esses dados para tomada de decisões. Ela vai saber onde está chovendo mais, onde a intensidade é maior ou menor”, disse Martins.
EXEMPLO
Há 14 anos, a chuva atingiu Campo Grande de maneira desproporcional e avassaladora. Concentrada na região dos bairros Carandá Bosque, Sóter e Parque dos Poderes, o nível do córrego prosa subiu. Na Avenida Ricardo Brandão, o pontilhão no cruzamento com a Avenida Ceará não aguentou e desabou.
Em maio, o fenômeno se repetiu, mas sem estragos. Segundo Natálio Abrão, foram 135 milímetros em um período de 24 horas nesses pontos.