Questões burocráticas atrasam a implementação do aplicativo de celular que monitora contatos dos usuários com casos confirmados do novo coronavírus. A empresa que desenvolveu o programa é de Pernambuco. Ela teve que fazer alguns ajustes a pedido de Mato Grosso do Sul e providenciar a documentação necessária.
Além disso, o chefe de gabinete da Secretaria de Saúde (SES), Flávio Brito, disse ao Correio do Estado que, mesmo podendo usar o decreto de calamidade pública para fechar o contrato sem licitação, o titular da pasta, Geraldo Resende, determinou que seja aberto pregão para dar transparência ao processo.
Dessa forma, o edital está previsto para sair no Diário Oficial semana que vem. Ele trará a data do processo seletivo. Poderão participar outras empresas que por ventura tenham desenvolvido programas semelhantes que atendam a todas as exigências previstas em edital, embora todas as características remetam ao DyCovid nordestino.
O sistema vai ficar seis horas aberto para o recebimento de propostas. Depois disso, segue o curso para o empenho da verba necessária, conferência de toda a documentação, análise de recursos (se houverem). Brito estima que a plataforma só esteja disponível para download em julho.
“Sobre a questão do lançamento, houve realmente um atraso. Foram solicitados alguns detalhes e já há algum tempo estamos conversando, fazendo demonstrações do aplicativo. Houve algumas questões de custo. Para semana que vem foi estimado para finalizarmos o processo”, disse ao Correio do Estado Matheus Rodrigues de Souza Félix, CEO e fundador da Mamba Labs, startup responsável pelo DyCovid.
O programa é visto como estratégia para ajudar no controle do surto pelo qual passa o Estado neste momento, com centenas de novos pacientes testando positivo diariamente.
COMO FUNCIONA?
Félix explicou à equipe de reportagem que o programa se baseia em dados de georreferenciamento, mas não guarda nenhum dado dos usuários, em hipótese alguma. Isso o torna seguro.
A primeira funcionalidade é demonstrar em um mapa as áreas de risco da cidade, com mais casos confirmados. Assim, o cidadão pode saber se está pisando em território vermelho da Covid-19 para mudar a rota ou reforçar os cuidados, caso o trajeto seja realmente necessário.
O aplicativo vai conversar com o sistema do Governo. A pessoa vai saber por ele se testou positivo.
Como a plataforma não guarda dados, não há como saber em temo real se a pessoa está próxima de um caso confirmado ou em risco da Covid. A cada seis horas, o sistema é atualizado e o usuário saberá se ficou perto de algum potencial hospedeiro do novo coronavírus e por quanto tempo. Isso fará com que um alerta acenda informando quais as chances da pessoa estar contaminada.
O DyCovid poderá liberar ainda uma espécie de voucher para o drive-thru de testes, mas será o Governo que determinará em quais casos isso será feito.
Na teoria, quem esteja no “vermelho” para a doença normalmente procura se isolar por conta própria para não contaminar seus pares, dizem especialistas na área da Saúde.
De todo modo, para que a estratégia seja eficaz, é preciso que pelo menos 56% das pessoas em determinada área baixem em seus celulares.