Cidades

INÉDITO

UFMS despreza votação das eleições e cria nova lista tríplice

Candidata excluída foi à Justiça, professor teme que universidade vire "motivo de chacota"

Eduardo Miranda

29/07/2020 - 19h08

A eleição realizada há duas semanas para escolha dos nomes que irão comandar a reitoria da UFMS até 2024 foi atropelada pelo Colégio Eleitoral da instituição, que em votação interna, realizada nessa quarta-feira, escolheu o nome da professora Beth Bilange, da Chapa 1, para integrar a lista tríplice a ser encaminhada à presidência da república.

Na eleição do dia 17, que contou com mais de 7.900 votos de estudantes, professores e funcionários do corpo técnico universidade, a Chapa 1 tinha sido a menos votada, com 4,78% dos votos, ficando atrás da Chapa 5, encabeçada por Lídia Maria Ribas, que obteve o índice de 4,94% da votação e ficou com o terceiro lugar. Os dois mais votados foram Marcelo Turine (Chapa 2), atual reitor, com 42,44%, e Lincoln Oliveira, com 24,45%.

Esta é a primeira vez, em 41 anos de história da UFMS, que o Colégio Eleitoral - composto por representantes de vários conselhos da universidade - não segue  o resultado da eleição aberta. Na votação interna do Colégio, marcada por manifestações de desacordo de alguns membros, Turine obteve 94 votos; Oliveira, 34, e Bilange, 31. Sem base no Colégio, que tem entre 170 e 180 membros, a professora Lídia (Chapa 5), tida como a principal oponente de Turine, ficou com nove votos.

“Essa mudança é inédita, não gostaríamos que fosse assim, mas disseram que a escolha é de competência e poder do Colégio (Eleitoral) e a consulta popular, uma mera referência”, lamenta o professor Marco Aurélio Stefanes, da Faculdade de Computação, que é presidente da Associação de Docentes da UFMS (Adufms) e membro do Colégio Eleitoral.

Para tentar reverter a situação, a Chapa 5 entrou com um pedido de tutela cautelar antecedente no Tribunal Regional Federal. Mas em tempos de pandemia e isolamento, os despachos jurídicos, normalmente já demorados, estão ainda mais lentos. A troca de acusações entre a Chapa 5 e a Chapa 2 (Turine) esquentou após o debate realizado um dia antes da eleição e o duelo acabou se tornando uma batalha judicial ainda em aberto.

“Tudo está dentro da lei, mas não é ético”, afirmou Nivalci Barbosa, membro do Colégio Eleitoral, ao final da reunião. “É importante que conste em ata que o processo eleitoral não foi respeitado. Há uma grande mácula e quero deixar registrada a minha indignação.Temos que consertar isso. Dessa forma, a UFMS ficará desrespeitada diante da comunidade universitária. Vamos ser motivo de chacota.”

Como era:

Lista Tríplice das eleições

 

1 - Marcelo Turine e Camila Ítavo

2 - Lincoln Carlos da Silva e José Antônio Menoni

3 - Lídia Ribas e Gunter Hans Filho

 

Como ficou:  

Lista Tríplice do Colégio Eleitoral

 

1 - Marcelo Turine e Camila Ítavo

2 - Lincoln Carlos da Silva e José Antônio Menoni

3 -  Beth Bilange e Lucilene Machado 

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