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Consórcio Guaicurus quer ajuda do poder público e mantém pedido de subsídio

Presidente do grupo de empresas responsáveis pelo transporte coletivo na Capital diz que há dificuldade para arcar com as despesas de operação da concessão

Gabrielle Tavares

21/12/2020 - 09h00

O presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, disse que o grupo precisa de subsídio do poder público, sobretudo neste ano de pandemia, para que o reajuste da tarifa não pese no bolso dos usuários.

A resposta de Rezende veio ao comentar a possibilidade de o bilhete na Capital passar de R$ 5; ela existe, pois é o que ocorrerá se a prefeitura, poder concedente, aplicar o que o contrato prevê, conforme divulgou na semana passada, em primeira mão, o Correio do Estado.

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A prefeitura, porém, não deve permitir que o passe supere os R$ 5, conforme afirmou o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Vinícius Leite Campos: “O prefeito, de forma alguma, vai elevar a esse valor”. Atualmente, o passe do transporte público custa R$ 4,10.

Para o presidente do Consórcio Guaicurus, grupo de empresas responsáveis pelo transporte coletivo em Campo Grande, existe um contrato que deve ser seguido, portanto é preciso analisar como isso vai funcionar. 

“É mesmo difícil praticar uma tarifa de R$ 5, mas tão difícil quanto é a empresa arcar com valores que não são de sua competência”, argumenta.

De acordo com Vinícius Leite Campos, o cálculo leva em conta uma série de índices, e para o próximo ano, o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) voltou a compor o montante. O acréscimo de 3% corresponde à decisão judicial após pedido do Consórcio Guaicurus.

Na espera

Sobre a afirmação da prefeitura de que a tarifa não vai chegar a ultrapassar o sugerido pela técnica, João Rezende afirma que vai aguardar uma comunicação oficial por parte do poder público.

“Se a administração municipal diz que não vai seguir a tarifa técnica, ela deve tomar outra medida que garanta a subsistência do serviço”, comenta.

O presidente pondera também a falta de subsídios por parte da prefeitura. “O que temos visto em outras cidades, como Cuiabá e Curitiba, principalmente agora na pandemia, é que as prefeituras estão socorrendo o transporte coletivo. Isso não está acontecendo aqui”, argumenta.  

Para o diretor-presidente da Agereg, a ajuda do governo poderia melhorar essa situação. 

“Já tem um tempo que o transporte tem seus problemas financeiros e a pandemia só ressaltou isso. Os ônibus estão lotados no horário de pico e as pessoas reclamam, e com razão, da aglomeração, mas infelizmente é um problema de dificílima solução, que só as empresas não conseguem resolver. A prefeitura precisaria ajudar financeiramente, ou o governo do Estado, mas o município sozinho com suas receitas não consegue ajudar financeiramente o consórcio. O melhor seria se o governo federal tivesse aprovado o auxílio”, justifica.

Insistência

Em abril, o consórcio pediu subsídios para a prefeitura. A solicitação incluía a isenção de impostos e corte de linhas. Naquele mês, a empresa foi à Justiça e falou até em paralisação das atividades. Mas as sugestões não foram acatadas.  

O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), negou o pedido e disse que o consórcio tenta pressionar o município. “O objetivo dele era pressionar o município e não surtiu efeito. Vamos continuar fazendo todas as vistorias e fiscalizações para o efetivo cumprimento do contrato de 2012”.

Gastos em 2020

Apesar das reclamações do Consórcio Guaicurus, vários pontos que estão sendo descumpridos não foram cobrados pela administração da Capital. O reajuste do salário dos funcionários não foi realizado e não houve renovação da frota. 

Além disso, a empresa responsável pelo sistema de transporte coletivo na Capital ainda não pagou a multa que recebeu em julho, por descumprir a obrigatoriedade de contratação de Seguro de Responsabilidade Civil, Geral e de Veículos, que até hoje não foi feito.

Há um ano, cerca de 81 carros do consórcio estão circulando em Campo Grande com a idade vencida. O contrato firmado entre a empresa e a prefeitura estabelece o limite de cinco anos de rodagem para os ônibus.

Em 2019, por causa da mesma situação, a Agereg ameaçou multar a empresa em R$ 2,7 milhões, mas o processo foi suspenso após a compra de 55 carros.

O consórcio também foi multado em R$ 12 milhões por descumprir a obrigatoriedade de contratação de Seguro de Responsabilidade Civil, Geral e de Veículos. Depois de sete meses, a situação continua a mesma. A multa ainda não foi paga e o seguro não foi feito.

Justificativa

A principal alegação para a falta de cobrança é a pandemia da Covid-19. Mas o passe do estudante, o passe dos idosos e outras gratuidades foram suspensas durante vários meses na Capital. 

As escolas da rede pública foram paralisadas ainda no início do ano, sem retorno, havendo a volta apenas das atividades na rede particular de ensino, cuja demanda é baixa. Durante a pandemia, a frota dos veículos também foi reduzida, encolhendo o custo com a manutenção dos carros.

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