As obras para implantação do Corredor Sudoeste e a primeira via do Corredor Norte do transporte coletivo em Campo Grande devem ser finalizadas no fim do primeiro semestre deste ano e a partir de então os locais passarão a multar motoristas.
De acordo com o diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Janine de Lima Bruno, o projeto atende 80% dos usuários de ônibus da cidade e os motoristas que passarem a estacionar em locais inadequados serão multados.
Será entregue neste semestre a reforma das ruas Brilhante e Bahia e da Avenida Bandeirantes.
“As grandes cidades já adotaram esse modelo, a infraestrutura é para melhorar a qualidade de vida das pessoas, os motoristas que estacionarem em locais proibidos serão notificados a partir do momento em que o corredor estiver ativado”, explicou.
Em 2011, a Prefeitura de Campo Grande conseguiu R$ 180 milhões pactuados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana, para melhorar o transporte coletivo da Capital.
Desse valor, R$ 20 milhões foram assegurados para construir cinco terminais; R$ 110 milhões para construção de 68,4 quilômetros de corredores de transporte coletivo; R$ 4,5 milhões para modernização do sistema de controle eletrônico; R$ 40,3 milhões para intervenções viárias; e R$ 6 milhões para estações de pré-embarque. As obras têm como objetivo melhorar a velocidade média dos ônibus, diminuindo o tempo das viagens.
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Conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), a conclusão total dos corredores está prevista para acontecer ainda neste semestre.
“A obra está bem adiantada, estão faltando apenas alguns detalhes para a entrega final. A fase de sinalização deve ser concluída em breve pela Agetran, a empresa de ônibus terá de alterar alguns trajetos para assim termos os corredores em funcionamento ainda neste primeiro semestre”, explicou.
O projeto estava previsto desde 2007.
Os recursos foram aprovados em 2011, na gestão de Nelson Trad Filho – era para ser uma das obras para a candidatura de Campo Grande à sede da Copa do Mundo de 2014 –, mas só em 2016, no gerenciamento de Alcides Bernal, a intervenção passou a ser realizada pelo Exército, por meio de convênio que posteriormente, em 2018, foi rompido e assumido por empreiteiras.
O presidente da Agetran afirma que além de tornar a viagem mais rápida, com o percurso sendo feito em menor tempo, os corredores vão impactar até mesmo na quilometragem dos ônibus, sendo um dos fatores que encarecem a tarifa.
“Toda a cidade necessita de corredores de ônibus, quem sai ganhando é a população de Campo Grande com esse investimento, qualquer cidade que tem esse projeto ganha em tempo médio e agilidade. O transporte coletivo deve ser prioridade, ele chega a transportar 70 pessoas de uma vez, uma viagem de 30 minutos passa a acontecer em 15 minutos”, afirma.
CORREDORES
Os corredores de transporte estão previstos no Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana, o investimento corresponde à implantação de quase 69 quilômetros e vai reduzir em até 20% o tempo de viagem dos ônibus, tanto centro/bairro quanto bairro/centro.
A redução do tempo de viagem será possível porque a velocidade média dos ônibus aumentará de 16 para 25 quilômetros por hora. Os ônibus vão circular em faixa exclusiva e terão trânsito livre, com semáforos funcionando de forma sincronizada nos cruzamentos onde haverá estações de pré-embarque.
Conforme a Agetran, a Avenida Bandeirantes terá sete estações nas esquinas com as ruas Campinas, Hermenegildo Pereira, Bélgica, Tenente Antônio João de Figueiredo, Argemiro Fialho, Salgado Filho e 26 de Agosto.
Na Rua Brilhante serão três estações, nas esquinas com as ruas Cyriaco Maymone, Mario Quintanilha, Manoel Proença e Marechal Deodoro. As estações maiores terão 15 assentos e as menores seis bancos, além de uma estrutura de concreto na qual os usuários também poderão se acomodar.
Já a Rua Bahia, que integra o Corredor Norte do transporte, terá quatro estações, nas esquinas com as ruas da Paz, Antônio Maria Coelho, Rua das Garças e Amazonas, facilitando o tempo de viagem entre o centro da cidade e os terminais General Osório e Nova Bahia. As estações terão 10 metros de comprimento, com 2,5 metros de cobertura.
Em 2019, a Prefeitura de Campo Grande autorizou a contratação de empréstimos de R$ 91,3 milhões para bancar os outros corredores: Sul e Norte.
O Corredor Norte contemplará ruas como Bahia, 25 de Dezembro e Alegrete, além das avenidas Coronel Antonino e Cônsul Assaf Trad, e fará a ligação dos terminais General Osório e Nova Bahia.
O Corredor Sul abrangerá as avenidas Costa e Silva, Gury Marques e Calógeras e fará a conexão dos terminais Morenão e Guaicurus.
COMERCIANTES
A reportagem do Correio do Estado conversou com comerciantes das ruas Bahia, Brilhante e Bandeirantes e estes demonstraram insatisfação com as intervenções realizadas. Eles alegam que a falta de mobilidade causada pelos corredores de ônibus pode afastar clientes.
“Quando a obra passar a valer, vai restringir o estacionamento, o que acaba afastando os clientes, essa é uma via comercial e não terá estacionamento dos dois lados, isso vai influenciar no comércio da avenida toda. O cliente quer facilidade, o que não teremos agora com essas mudanças”, pontuou Elvis Geraldo, proprietário de uma farmácia na Rua Brilhante.
Para a empresária Veronice Sbissigo, responsável por uma floricultura na Rua Bahia, a obra já mostrou ser ineficiente e perigosa e ela teme perder clientes pela falta de estacionamento.
“O corredor fica exatamente na frente da minha loja, não está sendo nada favorável desde o início. O meu estabelecimento tem estacionamento, mas os clientes preferem parar na rua, pela agilidade. Já notamos que algumas pessoas querem parar para comprar, mas por conta da obra vão embora, a tendência é piorar”, destacou.