Uma variante do novo coronavírus surgida no final de 2020 em Manaus tem preocupado autoridades sanitárias devido ao seu maior potencial de contágio. Ao mesmo tempo em que o mundo faz campanhas de vacinação, o surgimento de variantes pode ter uma carga viral até dez vezes mais elevada.
Detectada e notificada pela primeira vez no Japão, no início de janeiro deste ano, a variante brasileira, chamada P.1, ainda foi pouco estudada. Conforme o Ministério da Saúde, há mais de 200 casos registrados no país, incluindo algumas reinfecções.
Ontem (4), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou o primeiro caso de infecção da nova variante em Mato Grosso do Sul. A nova variante foi registrada em um paciente do sexo masculino, de 37 anos, morador de Corumbá.
Este caso faz parte dos três casos suspeitos que estavam em investigação no Estado, sendo um já confirmado e dois que ainda permanecem à espera de resultado pela Fiocruz, sem data de confirmação.
“Era esperado as variações, inclusive novas podem surgir! O vírus continuará sofrendo mutações, isso acontece com outras doenças, com exemplo da gripe. É fundamental que a população continue adotando as medidas de biossegurança e evitando aglomerações, alguns testes apontam que já temos essa variante em outros municípios, principalmente na região da grande Dourados”, explicou o infectologista André Barbosa ao Correio do Estado.
Um estudo de epidemiologia genômica realizado por cientistas brasileiros revela que pacientes infectados com a nova variante P.1, têm uma carga viral dez vezes maior em secreções colhidas por amostras RT-PCR. Além disso, essa carga está também mais alta em homens e mulheres adultos com idade inferior a 60 anos.
A linhagem P1 é uma variante de atenção, com circulação comunitária reportada pela primeira vez no Amazonas. No Brasil, essa nova variante já foi encontrada em ao menos 15 estados, mas suspeita-se que ela esteja presente em todos.
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Os sintomas da doença, são similares aos do vírus inicial: febre, tosse, dor de garganta, fadiga e dores musculares. A indicação geral segue sendo o distanciamento social e o uso de máscaras.
De acordo com o Office for National Statistics (ONS) do Reino Unido, a nova cepa é diferente principalmente na questão do paladar e olfato, onde menos pessoas com teste positivo perdem estes sentidos.
“Os sintomas são muito semelhantes aos do coronavírus, que são os sintomas básicos de uma síndrome respiratória, como a coriza, dor de cabeça, febre, dor de garganta, falta de ar e mal estar. Apenas o sequenciamento genético, é capaz de avaliar o vírus”, destaca o especialista.
No domingo (28), o Reino Unido identificou seis casos da variante brasileira, sendo três deles na Inglaterra e os outros três na Escócia.
O Reino Unido já sofre com uma variante local mais transmissível, batizada de B.1.1.7. Para contê-la, o país adotou um terceiro lockdown em dezembro e intensificou a campanha de vacinação. As medidas já vêm apresentando resultados, como a redução na internação de idosos.
DISSEMINAÇÃO DA VARIANTE
Um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia, publicado no final de fevereiro de 2021 e ainda não revisado por outros cientistas, mostrou que a P.1, identificada pela primeira vez no estado em 4 de dezembro de 2020, passou a responder pela maioria dos casos de infecção em um mês e meio.
Em novembro, não havia nenhum caso da P.1. Em meados de dezembro, a mutação já respondia por 4% dos casos. No final do mês, era responsável por 45% dos casos, e por 73% até meados de janeiro, o que ilustra seu rápido crescimento.
O infectologista André Barbosa reitera que não existe nenhum tipo de tratamento precoce contra a cepa. "Não existe nenhum estudo que comprove que medicamento podem evitar a contaminação ou disseminação da doença. A orientação que damos é em relação ao uso de máscara, álcool gel para higienizar as mãos, além das medidas de isolamento".