O novo decreto publicado pelo Governo do Estado, com prorrogação do toque de recolher e restrições mais rígidas, motivou reclamações e protesto de alguns segmentos de atividades, que não estão autorizados a funcionar até o dia 4 de abril.
Diante da situação, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, esclareceu que a medida é necessária diante do cenário da pandemia, com o sistema de sáude colapsado, 180 pessoas aguardando por leitos, falta de medicamentos e recorde de mortes, com 60 óbitos nas últimas 24 horas.
“É muito angustiante essa situação e precisamos de medidas duras. Vamos continuar fazendo isso mesmo com a incompreensão de alguns. Para nós esse dilema entre fechar ou abrir comércio é secundário, precisamos não fechar caixões e não abrir túmulos”, disse Resende.
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Conforme o novo decreto, os serviços considerados essenciais podem funcionar de segunda à sexta-feira, das 20h às 5h e aos sábados e domingos, das 16h às 5h. A limitação de atendimento ao público de, no máximo, 50% da sua capacidade instalada com distanciamento de 1,5 m e medidas de biossegurança, além de outras restrições.
Resende afirmou que " não é fácil construir decretos como esse, mas é preciso".
Conforme o secretário, é muito importante a colaboração da população no cumprimento das medidas, principalmente quanto ao isolamento social e uso de máscaras, para diminuir a circulação do vírus e, consequentemente, o contágio.
"Temos números que fazem com que a gente tenha que tomar essas decisões. 60 vidas que se foram, estamos chegando a 4 mil óbitos durante a pandemia, 206.968 confirmados, temos recorde em internações, 1.118, e muitos são leitos improvisados, a gente está tendo acesso a leitos de UTI quando vão a óbitos os que estavam ocupando, não temos mais como expandir", listou o secretário.
"Quando olha a lista de espera, a gente fica muito apreensivo, porque com a regulação do Estado, chega a termos 180 sul-mato-grossenses, homens e mulheres, e muitos jovens que estão na fila de espera para ter acesso a leitos nos hospitais", acrescentou.
Outro dado preocupante é a falta de medicamentos e kit intubação. Segundo a secretária adjunta de Saúde, Christine Maymone, não faltam recursos, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já informou aos estados sobre a falta dos itens em todo o Brasil.
"Estamos cansados, mas vamos ter que superar todas essas fraquezas para que tenhamos medidas que visam evitar perda do maior patrimônio que Mato Grosso do Sul tem, que é a vida dos que habitam esse Estado", concluiu Resende.
O secretário de Governo e Relações Institucionais, Sérgio Murilo, afirmou que o decreto foi feito por diversos setores, e tenta equilibrar saúde e economia.
"É algo equilibrado entre o desejo da saúde e da população, que é salvar vidas, e o da economia, que é o equilíbrio de forças que estamos tentando fazer e que a população se adeque, tem prejudicados mas tem vantagens", explicou.
Ele acrescentou que o governo está em conversas com diversos segmentos para discutir formas de minimizar prejuízos econômicos.