Até o dia 15 de março deste ano, mais de 5 mil indígenas em Mato Grosso do Sul foram infectados pela Covid-19 e 86 morreram em decorrência da doença. As vítimas eram de aldeias e municípios espalhados pelo Estado.
O levantamento foi feito pelo mestrando mestrando em Recursos Naturais (PGRN), da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Gledson Martins, 23 anos. Ele é da etnia Guarani-Nãndeva, natural da aldeia Porto Lindo, localizada no município de Japorã.
Segundo a pesquisa, os municípios que tiveram o maior número de óbitos foram Dourados, Aquidauana, Miranda, Sidrolândia e Campo Grande. As etnias mais atingidas foram os guaranis, kaiowás e terenas.
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Martins explicou que foi possível observar intervalos maiores entre o registro de novos casos e óbitos sobre os indígenas no mês de abril. "Apesar disso, todos os cuidados básicos ainda devem ser exercidos, pois existe grande possibilidade de haver explosão de novos casos".
"Ainda não foram imunizados 100% da população indígena no Estado. Nesse sentido, a proximidade de algumas aldeias indígenas de centros urbanos como o caso de Dourados é um dos fatores que mais agravam a situação dos povos indígenas”, ressaltou.
O trabalho foi desenvolvido com base nos dados divulgados pelo boletim da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).
O pesquisador defende que o estudo é uma pequena contribuição ao investimento do ensino superior e pós-graduação de instituições públicas no Brasil.
“Especificamente para os povos indígenas, é um retorno significativo de minha parte à lutas que muitos indígenas, na maioria dos casos, ainda analfabetos, buscaram conquistar. Meu trabalho contribui inicialmente no registro histórico da situação diária que os povos indígenas enfrentam. Com o monitoramento ainda podemos estudar a propagação do vírus desde o início dos primeiros casos afim de propor medidas de controle para os gestores locais, bem como as lideranças indígenas, líderes municipais, estaduais e federal”, destaca.
Ele será o primeiro mestre de sua família e já tem outros familiares cursando o ensino superior, duas no curso de Direito da UEMS de Naviraí.
“É uma experiência prazerosa e cansativa. Combater a desigualdade intelectual é meu objetivo, por isso também tenho meus grupos de estudos para apoiar vestibulandos", apontou.