Em meio ao agravamento da pandemia da Covid-19 e superlotação de leitos de hospitais, mulheres que desejam engravidar, enfrentam o dilema de esperar ou não para dar início à maternidade, por conta do medo da pandemia.
Durante as crises de saúde pública do vírus da Zika, H1N1, também houve discussões sobre recomendar ou não que as mulheres evitassem uma gravidez devido aos riscos potenciais para elas mesmas e seus recém-nascidos, a pandemia de Covid-19 novamente trouxe a tona este debate.
Durante uma coletiva de imprensa, o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, recomendou que casais posterguem, se possível, os planos de gravidez em alguns meses em razão do agravamento da pandemia.
"Caso possível, postergar um pouco a gravidez para um melhor momento, para que você tenha uma gravidez mais tranquila. É lógico que a gente não pode falar isso para quem tem 42 ou 43 anos, mas para uma mulher jovem que pode esperar um pouco, é o mais indicado", explicou na ocasião.
A estimativa é que existam hoje cerca de 3 milhões de gestantes e puérperas no país. Mato Grosso do Sul registrou 22 mortes maternas nos três primeiros meses deste ano, sendo 14 por Covid-19.
O médico ginecologista e obstetra, José de Oliveira, destaca que a decisão de adiar ou não uma gravidez planejada deve ser tomada pela mulher junto a seu médico, levando em consideração fatores de risco.
“É muito delicado dizer que casais devem adiar os planos de uma gravidez, as mulheres têm o direito de saberem dos riscos que correm e ter sua autonomia de decidir o que é o melhor a ser feito junto de um profissional, mesmo com o agravamento da pandemia”.
O especialista complementa que é necessário analisar diversos fatores, como a idade, riscos e a taxa de fertilidade.
“Caso a paciente esteja tentando engravidar há um certo tempo e esse for um desejo muito forte pela gestação, ela pode engravidar agora, desde que continue a ter os cuidados para evitar a infecção e não faça parte do grupo de risco, visando a saúde dela e do bebê, vários fatores devem ser levados em consideração’, destacou ao Correio do Estado.
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O médico destaca que um dos motivos pelo adiamento da gestação é a diminuição da capacidade pulmonar da mulher à medida que o bebê vai crescendo, tendo maior propensão a ter a forma grave de algumas viroses, principalmente as respiratórias.
“Pacientes grávidas têm dificuldade na expansão do pulmão, porque cresce o volume abdominal e isso dificulta a movimentação do diafragma, são peculiaridades da própria gravidez que podem ser agravadas pelo vírus, além de que pacientes podem ter o comprometimento respiratório, a ponto de não conseguir se recuperar”, pontuou.
GRUPO PRIORITÁRIO
Nesta semana, o Ministério da Saúde decidiu incluir todas as gestantes e puérperas no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19. A medida consta de uma nota técnica da pasta divulgada aos estados e municípios.
Conforme a nota técnica, a pasta diz que a decisão pela inclusão das gestantes na campanha de vacinação considerou possíveis riscos e benefícios, a situação epidemiológica do país e dados que apontam aumento no risco de hospitalização de pacientes neste grupo.
No início do mês, a Defensoria Pública pediu à Secretaria de Estado de Saúde (SES), atenção à saúde das gestantes e puérperas, entre elas a inclusão deste grupo entre as prioridades na imunização contra a doença.
"O Brasil é onde mais morrem gestantes por Covid-19. No ofício entregue ao secretário ressaltamos que essa quantidade de mortes é expressiva quando comparamos no mesmo período de 2020, que teve apenas três óbitos", pontuou a coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), defensora Thais Nominato.