O tradicional "prato feito" está pesando no bolso da população, os preços dos dois principais ingredientes da mesa do brasileiro, o arroz e o feijão, cresceram mais de 60% no último ano. Enquanto o arroz ficou 60,8% mais caro, o valor do feijão preto subiu 69,1%, de acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula a alta dos alimentos pelo país.
No acumulado de 2020 a cesta básica em Campo Grande registrou alta de 28,08%. O principal produto que puxou a elevação de preços no ano foi o óleo de soja, que subiu 108,71%, seguido por arroz, que registrou alta de 85,09%, e batata, com aumento de 83,08%, conforme o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Para a supervisora técnica do Dieese-MS, Andreia Ferreira, além da alta do dólar e do aumento das exportações, que influenciaram no preço dos produtos, outros fatores também impactaram os números.
“Tivemos a diminuição das áreas plantadas de arroz, feijão, do número de reses para abate, etc. O dólar está aquecido frente ao real, em razão disso, a tendência é de que os preços continuem elevados nos próximos meses”, destacou Andreia.
Conforme a pesquisa, entre os produtos da cesta do prato feito, vale destacar o aumento para as proteínas: carnes bovinas (27,2%), frango (13,9%) e ovos (10%).
Já entre os alimentos in natura, as maiores altas foram da cebola (41,1%) e da batata (19,4%). O único produto que baixou de preço foi o tomate, com queda de 24,6%. A variação registrada foi dez vezes maior que a inflação média, calculada em 6,1% durante o mesmo.
Conforme apurado pelo Correio do Estado, durante o período de 10 meses, um trabalhador que recebe um salário mínimo (R$ 1,1 mil) e mora em Campo Grande precisou trabalhar 15 horas e 3 minutos a mais para comprar uma cesta básica, conforme aponta a Dieese, que faz referência ao mês de março.
O economista Marcos Rezende aponta que a disparada dos preços dos alimentos tem influenciado no orçamento de milhares de famílias, em meio ao agravamento da pandemia.
“A situação é dramática, o auxílio emergencial está menor, milhares de pessoas perderam renda, vivemos em uma pandemia. A disparada dos alimentos compromete a capacidade de compra dos consumidores, infelizmente a fome tem atingido grande parte da população de uma maneira que já não acontecia há alguns anos”, alegou o especialista.
Últimas Notícias
ALTERNATIVAS
Com o agravamento da pandemia em todo País, o governo de Mato Grosso do Sul se prepara para iniciar o pagamento do programa Mais Social no próximo mês.
Ao todo, mais de 100 mil famílias serão contempladas e terão que seguir critérios para participação, as famílias atendidas só poderão utilizar o valor para a compra de alimentos e produtos de higiene pessoal.
O programa pretende atender famílias em situação de vulnerabilidade no Estado com R$ 200 mensais, e tem como objetivo garantir a dignidade e alimentação adequada a famílias de baixa renda, afetadas pela pandemia da Covid-19.
São requisitos para a inscrição como beneficiário do Programa Mais Social:
- estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), mediante apresentação do Número de Identificação Social (NIS);
- comprovar a inscrição de todos os membros da família no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), mediante apresentação dos referidos documentos;
- ter renda mensal familiar per capita igual ou inferior a 1/2 (meio) salário mínimo nacional vigente;
- residir, ininterruptamente, no Estado de Mato Grosso do Sul há pelo menos dois anos;
- não ser beneficiário de outro programa social estadual, com a mesma finalidade;
- realizar a opção, de forma expressa, pela adesão ao Programa Mais Social na hipótese de este ser impeditivo ao acesso a benefícios sociais concedidos pela União