Três grandes obras de Campo Grande devem ser relicitadas em virtude da alta de preços na área da construção civil.
Conforme o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, a falta de repasses da União e o aumento expressivo nos preços dos materiais de construção civil impactaram o andamento das obras de revitalização da Avenida Ernesto Geisel, a finalização do corredor de ônibus da Avenida Bandeirantes e da Rua Brilhante e a construção do Centro de Belas Artes.
“Estamos analisando uma reprogramação das obras, houve um aumento considerável em alguns insumos e, com isso, muitas empresas estão passando por dificuldades e reavaliando se querem continuar tocando as obras. Dependendo da decisão, teremos de cancelar o contrato e abrir novas licitações”, explicou ao Correio do Estado.
Segundo Fiorese, algumas empresas, como a que detém o contrato de revitalização da Avenida Ernesto Geisel, entraram com pedido de reanálise. “Mas isso vamos ver depois da conclusão dos estudos que estão sendo feitos pela equipe técnica da Sisep e que devem ser finalizados no fim do mês”, apontou.
O projeto de revitalização do Rio Anhanduí é de 2011. A iniciativa faz parte de um conjunto de ações para conter enchentes nos bairros Marcos Roberto, Jockey Clube, Jardim Paulista e Vila Progresso.
Já a revitalização da Avenida Ernesto Geisel foi iniciada em 2017 e abrange trecho de quase dois quilômetros da via, atravessando os bairros Coophamat, Taquarussu, Jacy e Marcos Roberto.
“A obra da Ernesto Geisel está passando por adequações, a empresa responsável entrou com pedido de reanálise e estamos pontuando se é tecnicamente possível para atender toda sequência de trabalho, tivemos problema no repasse de recursos em 2019 e no ano passado, por causa da pandemia”, explicou o titular da Sisep.
O projeto prevê a construção de paredões de gabião para proteger as margens da erosão e evitar o transbordamento do rio, além de drenagem, ciclovia, urbanização e recapeamento das pistas.
Fiorese destacou que 65% da obra já foi executada. A conclusão total, incluindo recapeamento das vias, deve ser entregue apenas no ano que vem, caso não haja atraso nos repasses.
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CENTRO DE BELAS ARTES
O Centro de Belas Artes em Campo Grande completou neste ano 30 anos de construção. A edificação começou a ser levantada em 1991, com a intenção de ser a nova rodoviária da Capital, entretanto, passados muitos anos, o projeto não avançou.
A mudança já tem 14 anos e deve ter ainda mais, já que sua retomada esteve parada por determinação judicial e, com isso, as licitações envolvendo a obra foram canceladas.
Isso porque, em fevereiro de 2019, a empresa Mark Construções ingressou com ação na Justiça com o objetivo de receber o que, segundo ela, faltava ser depositado referente à construção do local.
No ano passado, foi determinado que uma perícia fosse feita na obra, para averiguar o que realmente foi feito pela empresa e se há ainda valor a ser repassado.
Como a gestão já havia dado prosseguimento à construção e contratado uma nova empreiteira, a Justiça decidiu, em maio de 2020, impedir que a obra tivesse andamento.
“A Justiça determinou a paralisação da obra no Centro de Belas Artes no ano passado e, por conta disso, cancelamos a licitação e o antigo contrato, agora estamos analisando quando será possível lançar uma nova licitação para termos a retomada da obra”, explicou Fiorese.
A verba usada no projeto do Belas Artes vem do Ministério do Turismo.
A obra prevê reforma completa, desde instalações hidráulicas, elétricas e acessórias até a arquitetura, passando por iluminação, aparelhagem de ar-condicionado, esgotamento e controle de água da chuva.
Ainda consta no projeto a instalação de linha elétrica fechada, para-raios, redes de tubulação e saídas de emergência, com informações por meio de placas e luminárias de emergência, barra antipânico, degrau antiderrapante e guarda-corpo.
Conforme o titular da Sisep explicou ao Correio do Estado, a previsão é de que a obra leve em torno de um ano para ser concluída. “Falta finalizar em torno de três mil metros quadrados, dos 15 mil metros quadrados que tem o local. Ele terá sala de dança e cinema”, destacou.
CORREDOR SUDOESTE
As obras para implantação do Corredor Sudoeste e a primeira via do Corredor Norte do transporte coletivo em Campo Grande também devem atrasar, mesmo após quase uma década de execução.
O atraso é referente à Avenida Bandeirantes e à Rua Brilhante, que estavam praticamente prontas e que deveriam ser entregues neste semestre.
Ao Correio do Estado, Fiorese explicou que, por conta do agravamento da pandemia, mais uma obra importante para a Capital deve ter seu cronograma de entrega alterado.
“A Covid-19 impactou em diversos setores, alguns insumos essenciais subiram muito, como o da estrutura metálica, muitas empresas estão passando por dificuldades, se tivermos de fazer novas licitações, com certeza a entrega não será neste ano”, destacou.
O projeto estava previsto desde 2007, porém, os recursos foram aprovados em 2011, na gestão de Nelson Trad Filho, mas só em 2016, no gerenciamento de Alcides Bernal, a intervenção passou a ser realizada pelo Exército, por meio de convênio que posteriormente, em 2018, foi rompido e assumido por empreiteiras.