Cidades

PANDEMIA

Com aumento de internações, pacientes padecem em UPAs

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, 231 pacientes aguardavam um leito de UTI ontem

Com 142 pacientes positivos ou suspeitos para a Covid-19 à espera por vagas em unidades de terapia intensiva (UTIs) ontem, o sistema de saúde público e privado se aproxima do colapso em Campo Grande. 

Para se ter uma ideia, a demanda por atendimentos em pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) aumentou de 30% a 102% na Santa Casa de Campo Grande e no Hospital da Cassems nos últimos 14 dias, respectivamente.

Retaguarda do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa opera com 120% de ocupação dos leitos de UTI Covid-19 na unidade do trauma. Mais dois pacientes estão isolados no pronto-socorro à espera da confirmação do teste para diagnóstico do coronavírus.

Os medicamentos utilizados para intubação e sedação de pacientes graves na Santa Casa têm estoque de 2 dias a 59 dias, dependendo do produto. No Hospital da Cassems, a taxa de ocupação era de 100% nos leitos de UTI.

Já a taxa de ocupação dos leitos de enfermaria estava em 87%. Três pacientes estavam em ventilação mecânica na emergência do Pronto Atendimento.

Apesar do aumento de 80% na demanda de atendimentos para Covid-19, não há pacientes aguardando por vagas no Hospital da Unimed. A taxa de internação era de 100% ontem, com todos os 60 leitos de UTI em uso. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), 231 pacientes em todo Mato Grosso do Sul aguardavam um leito de UTI nesta segunda-feira.

Desses, 171 eram da macrorregião de Campo Grande, 54 da macrorregião de Dourados e seis enfermos pela Central de Regulação do Estado.

Com o pai internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino desde quinta-feira (20), o autônomo Cristiano da Rocha, 29 anos, espera aflito enquanto a família não consegue uma vaga de UTI para Covid-19.

Conforme laudo médico, a situação de José Luiz Bezerra é grave, haja vista que ele apresenta insuficiência respiratória aguda. O documento relata ainda, que o pai de Cristiano “sem o tratamento hospitalar corre o risco de óbito”.

“Meu pai já foi intubado, aqui eles não conseguem fazer a tomografia para saber a porcentagem do pulmão que está comprometida. Estamos buscando todos os meios possíveis para conseguir a transferência, e o quadro só piorando”, afirmou Rocha.

O mesmo drama foi encontrado pelo Correio do Estado na UPA Vila Almeida, onde um familiar que preferiu não se identificar relatou que há seis dias, aguarda uma vaga hospitalar para sua mãe, de 70 anos. “Vemos que os funcionários da unidade de saúde fazem o que podem, mas a situação é gravíssima e acredito que seja hora de mais união e medidas para sairmos desse caos”, salientou.

De acordo com a diretora-presidente do Hospital Regional, Rosana Leite de Melo, a taxa de ocupação se mantém acima de 100% há semanas. Até a noite de ontem, nove pacientes intubados aguardavam vagas de UTI na área vermelha e enfermaria.

“A nossa preocupação agora é de que, além da demanda de todo o Estado, temos muitos pacientes intubados em UPAs. Só no nosso hospital, temos todos os 125 leitos de UTI ocupados”, reiterou Leite.

Para a médica, a terceira onda de contágio já é uma realidade que será refletida nos próximos dias. “Se levarmos em consideração que em média 10% dos casos confirmados por dia vão precisar de assistência médica, são mais de 100 pessoas a cada dia, precisando de UTI”, alertou Rosana.

No Hospital Adventista do Pênfigo, de 30 leitos habilitados para tratamento do coronavírus, 29 estavam ocupados. Em relação aos leitos clínicos, de 10 vagas, oito possuíam pacientes internados.

Conforme o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, é difícil encontrar leito de UTI vago em todo Mato Grosso do Sul. Para frear a ação de disseminação do coronavírus, o titular da SES defende que as recomendações do Prosseguir sejam seguidas pelos 79 municípios de MS.

“É preciso medidas duras, e pedimos aos secretários municipais de Saúde que adotem o Prosseguir. Aqueles que estão em coloração cinza e vermelha podem tomar outras medidas e decretos para diminuir a mobilidade urbana, além de cobrarem o uso de máscaras”, disse Resende.

Segundo Geraldo, novos leitos de UTI serão habilitados em Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. Para a secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone, com mais de mil novos casos por dia, apenas o distanciamento social será capaz de conter a explosão da incidência da doença, internações e mortes por Covid-19.  

“Temos 230 pacientes em fila de espera por UTI. Devemos ser mais solidários, nos manter em casa e evitarmos exposições desnecessárias”, alertou Maymone.

TRANSPORTE

O agravo da pandemia no sul do Estado mobilizou os prefeitos Alan Guedes, de Dourados, Hélio Peluffo, de Ponta Porã, Rhaiza Matos, de Naviraí, e o secretário municipal de Saúde de Nova Andradina, Sérgio Maximiano, a discutirem medidas mais restritivas na mobilidade entre as cidades.

Os gestores municipais buscam, agora, junto ao governo estadual, a restrição do trânsito intermunicipal no feriado de Corpus Christi, em 3 de junho. Para o prefeito de Ponta Porã, Hélio Peluffo, se não houver uma medida drástica, o lockdown será necessário.

Conforme a SES, a taxa de ocupação na macrorregião de Dourados era de 96% ontem. Em Ponta Porã, 92,73% dos leitos de UTI destinados ao coronavírus estavam em uso. Realidade semelhante à Nova Andradina que operava com 92,06% de seus leitos habilitados ocupados. 

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