A idade média da frota de ônibus de Campo Grande é de 7,6 anos. O número foi calculado com base em uma planilha que o Correio do Estado teve acesso.
O documento contém os modelos e os anos de fabricação de todos os veículos do transporte coletivo existentes na cidade e revela que o edital de concessão, que limita o tempo médio de fabricação a cinco anos, foi violado.
Os problemas vão ainda mais além. As regras determinam também que a idade individual dos circulares não pode ser maior do que oito anos, mas o Consórcio Guaicurus mantém 239 veículos acima desse limite, o que resulta em 43% da frota de 550 veículos.
Os mais antigos foram fabricados em 2009 pela montadora Marcopolo, ou seja, têm 12 anos de atividade pelas ruas da Capital.
Por sua vez, o diretor-presidente da empresa, João Rezende, já havia solicitado na Justiça que esse limite fosse ampliado, passando a ser de sete anos de uso, não mais de cinco, como é hoje. Se essa medida fosse validada, a empresa automaticamente passaria a atender as exigências do contrato e do edital de concessão.
Rezende defende que a data determinada pelo contrato deve ser alterada, visto que, segundo ele, os veículos continuam funcionando de maneira eficiente.
“Entre os ônibus que estão circulando hoje, a idade da frota varia entre cinco e oito anos, a idade não é o que determina o funcionamento do veículo, o que decide é a manutenção. Hoje, temos veículos que estão circulando acima da idade permitida, temos coisas para resolver”, afirmou ao Correio do Estado.
Há também 85 ônibus datados de 2010, com 11 anos de uso, além de 66 produzidos em 2011 e outros 18 produzidos em 2012. Conforme o arquivo, ano que vem perdem a validade mais 82 coletivos.
REDUÇÃO
Tramita na Prefeitura de Campo Grande um pedido do Consórcio Guaicurus para reduzir a frota total em 120 ônibus, sem reposição. De acordo com a empresa, atualmente, circulam pelas ruas da Capital, 360 ônibus para atender a demanda de usuários.
Segundo as informações do documento, ao se livrar desse montante de coletivos, a idade média da frota cairia para 6,5 anos. Ou seja, a medida não é suficiente para fazer com que o contrato seja cumprido, mas reduz a quantidade de zero quilômetros necessários para regularizar a situação junto ao poder público.
João Rezende apontou que a população não seria prejudicada, já que a baixa seria realizada entre os coletivos que estão parados nas garagens por conta da pandemia.
“Não faz sentido colocar para rodar 550 ônibus, se precisarmos de 360 para atender a demanda. O contrato estabelece que a frota precisa ser de acordo com a demanda, é isso que estamos fazendo. Não existe nenhuma ordem de serviço que determine que temos de rodar com todos os ônibus da frota”, explicou.
A solicitação do Consórcio Guaicurus foi enviada à Agência Municipal de Regulação (Agereg), que por sua vez solicitou um parecer da Agência Municipal de Transportes e Trânsito (Agetran) antes de colocar o pleito sob votação do conselho que tomará a decisão final sobre a demanda.
Recentemente, tanto a Rede Estadual de Ensino como a Rede Municipal de Ensino de Campo Grande confirmaram que as aulas presenciais em Mato Grosso do Sul serão retomadas no dia 19 de julho, quando se inicia o segundo semestre deste ano letivo.
O diretor-presidente reitera que a frota atual é suficiente para demanda de Campo Grande e que o retorno das aulas presenciais não será problema, com alternativa, caso tenha o aumento de passageiros, mais veículos passarão a circular.
“Essa redução de frota já aconteceu de fato e ainda temos 180 ônibus parados, fora os 370 veículos que estão circulando. Estamos pedindo para dar baixa em 120 e ainda fica 60 veículos para retorno dos alunos, que acredito ser suficiente”, apontou.
O Correio do Estado apurou que os técnicos da Agetran já elaboraram a resposta. Em vez de se manifestarem a favor ou contra, o órgão apenas declara a quantidade de veículos necessária para atender a população campo-grandense desconsiderando os efeitos da pandemia. Esse número não foi revelado.